Mercado reduz projeção para inflação neste ano, aponta Boletim Focus

Conforme o Relatório de Mercado Focus, a projeção para o IPCA de 2022 passou de 7,96% para 7,67%, enquanto a estimativa de 2023 subiu de 5,01% para 5,09%
Focus: Os economistas do mercado financeiro já esperam uma deflação no IPCA de julho (Ricardo Moraes/Reuters)
Focus: Os economistas do mercado financeiro já esperam uma deflação no IPCA de julho (Ricardo Moraes/Reuters)
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Estadão Conteúdo

Publicado em 11/07/2022 às 09:23.

Última atualização em 13/07/2022 às 16:25.

A mediana para a alta do IPCA, o índice de inflação oficial, de 2022 seguiu perdendo fôlego na última semana, enquanto as estimativas para 2023, foco atual da política monetária, continuam se distanciando do teto da meta para o próximo ano. Conforme o Boletim Focus, a projeção para o IPCA de 2022 passou de 7,96% para 7,67%, enquanto a estimativa de 2023 subiu de 5,01% para 5,09%. Há um mês, as estimativas eram de 8,50% e 4,70%, respectivamente.

Mesmo com a redução nas projeções para este ano, a estimativa continua muito acima do teto da meta (5,0%), configurando o segundo ano consecutivo de rompimento do mandato principal do BC. Para o IPCA de 2023, que está subindo a 14 semanas, a expectativa atual da Focus também está acima do teto de 4,75%.

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No Comitê de Política Monetária (Copom) de junho, o BC indicou que mira em algo mais próximo do centro da meta do que sua projeção atual para 2023 (4,0%). O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira também mostra uma desancoragem maior na mediana de 2024, que passou de 3,25% para 3,30%, ante 3,25% de um mês antes. A previsão para 2025, por sua vez, continuou em 3,00%, mesmo patamar de quatro semanas atrás.

A meta para 2024 é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto porcentual (de 1,5% para 4,5%). Para 2025, a meta também é de 3,00%, conforme definição do Conselho Monetário Nacional (CMN) em junho.

No Copom do mês passado, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 8,8% em 2022, 4,0 % em 2023 e 2,7% para 2024.

Taxa Selic Hoje

O colegiado elevou a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 13,25% ao ano.

Os economistas do mercado financeiro já esperam uma deflação no IPCA de julho, com a estimativa passando de alta 0,06% para queda de 0,28%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Um mês antes, o porcentual projetado era de alta de 0,50%.

Para agosto, a projeção no Focus também desacelerou de alta de 0,18% para 0,16%, ante 0,36% há quatro semanas. Para o índice de setembro, a estimativa variou de 0,47% para 0,48%, ante 0,46% de um mês atrás.

A inflação suavizada para os próximos 12 meses passou de avanço de 5,45% para 5,16% de uma semana para outra - há um mês, estava em 5,91%.

Projeção do Boletim Focus para o PIB

O Boletim Focus  trouxe novo aumento da previsão mediana para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022 na última semana, que passou de 1,51% para 1,59%. Há um mês, a estimativa era de 1,42%. Já a estimativa para a expansão do PIB em 2023 permaneceu em 0,50%, ante 0,55% de quatro semanas atrás. 

Considerando apenas as 21 respostas nos últimos cinco dias úteis a estimativa para o PIB no fim de 2022 passou de 1,51% para 1,80%. No caso de 2023, foi de 0,62% para 0,43%, com base em 40 respostas.

O Relatório Focus ainda trouxe as medianas para a alta do PIB de 2024, que oscilou de 1,81% para 1,80%, ante 2,00% de um mês antes. No caso de 2025, continuou em 2,00%, mesmo porcentual de quatro semanas atrás.

Os dados também mostraram hoje que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2022 permaneceu em 59,00%, ante 59 80% de um mês atrás.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

Em relação a 2023, a estimativa para a dívida líquida em relação ao PIB permaneceu em 62,00%, de 63,13% há um mês. A mediana para o déficit primário passou de 0,10% para 0,20% do PIB e para o rombo nominal continuou em 7,60%. Os porcentuais eram de 0,30% e 7,45%, respectivamente, há quatro semanas.

Os economistas do mercado financeiro aumentaram a estimativa de superávit da balança comercial em 2022 de US$ 68,36 bilhões para US$ 70,00 bilhões na última semana, de US$ 70,00 bilhões de um mês atrás, segundo a pesquisa Focus. Para 2023, a projeção passou de US$ 60,00 bilhões para US$ 60,71 bilhões, ante US$ 62 40 bilhões de quatro semanas antes.

Já a projeção de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos em 2022 se manteve em US$ 18,00 bilhões na última semana. Estava em US$ 16,50 bilhões um mês atrás. Em 2023, a expectativa para o rombo em transações correntes também seguiu em US$ 32,30 bilhões. Há um mês, era de US$ 31,95 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o resultado deficitário nesses anos. A mediana das previsões para o IDP em 2022 passou de US$ 60,00 bilhões para US$ 58,40 bilhões, ante US$ 58,45 bilhões de um mês atrás. Para 2023, passou de US$ 65,00 bilhões para US$ 66,15 bilhões, frente a US$ 62,75 bilhões de quatro semanas antes.

Selic no Boletim Focus

A projeção para a Selic - a taxa básica de juros - no fim deste ano ficou estável em 13,75% ao ano no Relatório de Mercado Focus da última semana, ante 13,25% há um mês. Considerando apenas as 54 respostas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa para a Selic no fim deste ano também se manteve em 13,75%.

No Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de junho, a Selic subiu de 12,75% para 13,25% e o colegiado indicou novo aumento de igual ou menor magnitude que em junho (0,5pp) para a reunião de agosto. Além disso, na ata, o Copom sinalizou que a Selic deve ficar em patamar "significativamente" contracionista por mais tempo, com o objetivo de que a inflação de 2023 convirja para o "redor da meta".

Projeção da Selic para 2023

Os economistas do mercado financeiro também mantiveram a projeção para a Selic no fim de 2023 em 10,50%, de 10,00% há quatro semanas. A previsão para o fim de 2024, no entanto, passou de 7,75% para 8,00%, ante 7,50% de um mês atrás. Já a previsão para o fim de 2025 foi mantida em 7,50%, repetindo a taxa de quatro semanas antes.

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