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Inflação de junho volta a subir e IPCA fecha em 0,67% com alta dos alimentos

No acumulado de 12 meses até junho, a variação no IPCA foi de 11,89%. Alimentação fora de casa e planos de saúde puxaram alta

Supermercado: alta no preço dos alimentos fez inflação de junho subir frente ao mês anterior (Leandro Fonseca/Exame)

Supermercado: alta no preço dos alimentos fez inflação de junho subir frente ao mês anterior (Leandro Fonseca/Exame)

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Carolina Riveira

8 de julho de 2022, 12h22

A inflação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal índice inflacionário brasileiro, fechou o mês de junho com variação de 0,67%. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira, 8, pelo IBGE.

No acumulado de 12 meses, a variação no IPCA foi de 11,89%. Nos seis meses do ano até junho, a alta acumulada é de 5,49%, já superando na prática o teto da meta do Banco Central para o ano inteiro.

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O resultado de maio ficou levemente abaixo do consenso do mercado, que era de alta de 0,71% no mês e 11,94% para o ano, segundo as projeções colhidas pela Bloomberg.

Embora dentro do consenso, o IPCA do mês subiu em relação ao índice de maio (veja no gráfico abaixo), interrompendo a trajetória de desaceleração que vinha ocorrendo nos últimos meses.

(Arte/via Flourish/Exame)

A alta em relação a maio veio sobretudo puxada por avanço de 0,80% no preço dos alimentos, que tem grande importância na cesta de consumo medida pelo índice. Como já havia sido antecipado na prévia no IPCA-15, o reajuste nos planos de saúde também ajudou a levar a inflação geral para cima.

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O INPC, índice que mede a inflação na cesta das famílias mais pobres (até cinco salários mínimos), ficou em 0,62% em junho. O acumulado em 12 meses do INPC é de 11,92%.

Impacto nos juros

O IPCA de junho levemente abaixo das expectativas pode indicar que a inflação brasileira tenha chegado a seu pico e possa começar a cair de forma mais acentuada. No entanto, riscos externos como o preço das commodities e guerra na Ucrânia seguem sendo uma preocupação, além da pressão em serviços com a reabertura da economia.

Ainda assim, a esperança de que o pior pode estar chegando ao fim impulsionou a busca por ações de varejistas durante a semana. Os papéis, que estavam entre as piores performances do ano na bolsa, chegaram a saltar mais de 20% na semana.

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A mediana dos analistas no boletim Focus, do Banco Central (que voltou a ser publicado hoje), projeta inflação em 7,96% no fim de 2022. A previsão foi feita antes da divulgação dos resultados do IPCA de hoje. Algumas casas têm projeções menores, como Itaú (projeção de 7,2%) e Safra (7,3%).

A inflação no Brasil superou dois dígitos em setembro do ano passado, e não caiu para baixo desse patamar desde então.

(Arte/via Flourish/Exame)

O Brasil está sob a maior taxa básica de juros, a Selic, desde 2016. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 15 de junho, a taxa de juros foi elevada em 0,50 ponto percentual, indo a 13,25%. Mais aumentos são esperados até o fim do ano, com a Selic podendo chegar perto de 14% segundo as projeções.

A aposta entre as casas de análise e bancos é que, apesar da alta de juros, a inflação deva seguir em dois dígitos no acumulado ao menos até meados do segundo semestre.

Alta na alimentação fora de casa e planos de saúde

Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta de preço no mês de junho. A maior alta veio de Vestuário (1,67%), seguida por Saúde e cuidados pessoais (1,24%), em vista da alta nos planos de saúde de 2,99% no mês.

O maior impacto no índice veio de Alimentação e bebidas (alta de 0,80%). A alta nesse grupo foi puxada pelo aumento do custo da alimentação fora de casa (que subiu 1,26% em junho). 

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Pedro Kislanov, gerente da pesquisa no IBGE, aponta que os destaques no consumo de alimentação fora de casa foram refeição (que subiu 0,95%) e lanche (2,21%).

"Nos últimos meses, esses itens não acompanharam a alta de alimentos nos domicílios, como a cenoura e o tomate, e ficaram estáveis. Assim como outros serviços que tiveram a demanda reprimida na pandemia, há também uma retomada na busca pela refeição fora de casa. Isso é refletido nos preços”, disse o pesquisador, em nota.

(Arte/via Flourish/Exame)

Além do aumento das refeições fora de casa, os preços do consumo em domicílio também subiram 0,63%, com destaque para altas do leite e do feijão. Alimentos que vinham tendo alta recorde, por outro lado, continuaram desacelerando, como cenoura, tomate e batata.

  • O leite longa vida subiu 10,72% em junho;
  • O feijão-carioca subiu 9,74%;
  • A cenoura caiu 23,36%;
  • A batata-inglesa caiu 3,47%;
  • O tomate caiu 2,70%.

O grupo Transportes teve alta menor em junho (0,57%, frente a 1,34% em maio), em meio à queda no preço dos combustíveis (-1,20%). O maior destaque foram as passagens aéreas, que seguem tendo forte alta. O reajuste nas tarifas de transporte público em algumas capitais também elevou o índice nacionalmente.

  • O preço da gasolina caiu 0,72% em junho;
  • O etanol caiu 6,41%;
  • O diesel subiu 3,82%;
  • O transporte público subiu 2,40%;
  • As passagens aéreas subiram 11,32% e acumulam alta de 122% em 12 meses.

Os resultados do mês de junho ainda não englobam, em sua maioria, os cortes no ICMS estadual realizados na última semana nos preços dos combustíveis e energia elétrica. Os principais impactos aparecerão sobretudo na inflação de julho. A expectativa do governo federal é que o corte de impostos faça baratear mais a gasolina, com corte em mais de R$ 1 por litro, ajudando a reduzir a inflação.

(Com Guilherme Guilherme)

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