Economia

IA pode elevar produtividade global em 1,5% ao ano, estima Moody’s

Relatório estima ganho médio anual em 106 países e aponta diferenças estruturais entre economias avançadas e emergentes. Ganhos variam entre economias avançadas e emergentes

Produtividade: Nos mercados emergentes, como o Brasil, a exposição ao deslocamento tende a ser menor por causa de salários mais baixos e infraestrutura digital mais limitada (Catherine Falls Commercial/Getty Images)

Produtividade: Nos mercados emergentes, como o Brasil, a exposição ao deslocamento tende a ser menor por causa de salários mais baixos e infraestrutura digital mais limitada (Catherine Falls Commercial/Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 06h00.

A inteligência artificial deve elevar a produtividade global em até 1,5% ao ano, segundo estimativa da Moody’s baseada em uma amostra de 106 países.

O cálculo considera os efeitos da inteligência artificial generativa sobre automação, aumento de capacidades e reemprego da mão de obra.

No estudo, a agência define produtividade como produtividade do trabalho, ou seja, mais produção por trabalhador.

Para estimar o impacto da IA, a agência divide ocupações em tarefas, calcula quais podem ser automatizadas ou ampliadas e aplica um ganho médio de eficiência de 25% ao longo de 10 anos, limitado pela taxa de desemprego.

O resultado é um acréscimo anual estimado na produtividade do trabalho, que não implica crescimento equivalente do PIB.

De acordo com o relatório, os avanços recentes em IA tendem a remodelar os mercados de trabalho globais de forma mais ampla e profunda do que tecnologias anteriores, por alcançarem tarefas cognitivas não estruturadas.

A tecnologia pode substituir ocupações atuais ou complementar funções existentes, elevando a produtividade econômica.

Os dados utilizados pela Moody’s, com base em metodologia do Fundo Monetário Internacional (FMI), distinguem ocupações com alta exposição à IA e alta complementaridade — que tendem a se beneficiar do aumento de capacidades — daquelas com alta exposição e baixa complementaridade, mais sujeitas à automação.

Nas economias avançadas, quase 30% dos empregos estão em ocupações com alta exposição e alta complementaridade, enquanto parcela semelhante está em funções com maior risco de substituição. Nos mercados emergentes, essas proporções são de 16% e 24%, respectivamente.

Os ganhos ocorrerão por três canais: automação, aumento de capacidades (complementaridade) e reemprego da mão de obra deslocada.

A Moody’s destaca que os benefícios podem evoluir ao longo do tempo, à medida que cresce a parcela da força de trabalho afetada e que a chamada IA agêntica passa a desempenhar papel maior.

A agência afirma que o impacto variará amplamente entre economias avançadas e mercados emergentes. As economias avançadas tendem a registrar ganhos mais amplos devido à maior exposição à IA e ao fato de partirem de um crescimento de produtividade enfraquecido.

Nos mercados emergentes, como o Brasil, a exposição ao deslocamento tende a ser menor por causa de salários mais baixos e infraestrutura digital mais limitada.

Ainda assim, alguns países podem obter ganhos significativos, especialmente onde houver melhoria da infraestrutura digital e ambiente de políticas públicas favorável.

O relatório ressalta que as implicações de crédito dependerão da compensação entre os custos sociais e fiscais da IA e os ganhos acumulados de produtividade.

A Moody’s assume, como premissa central, que os trabalhadores deslocados encontrarão novos empregos, limitando o deslocamento permanente em 5% ao ano para economias com desemprego acima desse nível.

Além do reemprego, o relatório aponta que a criação de novas tarefas pode ampliar os ganhos de produtividade.

Dados citados do relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, indicam crescimento esperado de ocupações como especialistas em big data, engenheiros de fintech e profissionais de IA e aprendizado de máquina, enquanto funções administrativas e rotineiras apresentam declínio projetado.

Velocidade de adoção influencia magnitude dos ganhos

A Moody’s ressalta que o ritmo de difusão da tecnologia será determinante. Em cenário de referência para os Estados Unidos, no qual a exposição à IA dobraria em 10 anos para cerca de 60% — equivalente a uma taxa de adoção anual de 7% —, o crescimento da produtividade alcançaria 2,8% no ano final.

Caso a trajetória de adoção siga curvas semelhantes às observadas para smartphones ou computadores, os ganhos nos anos finais poderiam se aproximar de 3%, segundo as simulações apresentadas.

Em média, a estimativa de 1,5% ao ano implicaria uma alta acumulada de quase 15% na produtividade ao longo de uma década.

A agência ressalta, porém, que os ganhos não se traduzem automaticamente em crescimento equivalente do PIB, dado que o cálculo do produto considera valor de mercado e produção, e não apenas eficiência.

A magnitude final dos efeitos dependerá da composição setorial e ocupacional de cada país, do ritmo de adoção da tecnologia e das condições demográficas e estruturais de cada economia.

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