Economia

Governo quer evitar volta da nova classe média à pobreza

A preocupação do Palácio do Planalto, segundo o ministro, é de que o atual cenário de crise econômica global afete a renda desse estrato da população

Consumidores no centro do Rio

Consumidores no centro do Rio

DR

Da Redação

Publicado em 29 de agosto de 2011 às 16h24.

São Paulo - O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Moreira Franco, disse hoje que o governo federal deve lançar até o fim deste ano um conjunto de medidas para impedir que a chamada nova classe média retorne à situação de pobreza. A preocupação do Palácio do Planalto, segundo o ministro, é de que o atual cenário de crise econômica global afete a renda desse estrato da população, cujo crescimento na pirâmide social foi um dos carros-chefe da campanha da presidente Dilma Rousseff no ano passado.

"A preocupação é preventiva, os números ainda não indicam alteração. Mas como a situação econômica é muito delicada, nós estamos formulando políticas para enfrentar esse problema", afirmou o ministro, após participar de assinatura de acordo, com o Instituto Unibanco, de cooperação técnica na área da educação. "O objetivo é ter uma espécie de 'trava' para impedir que esses brasileiros voltem à situação de pobreza anterior", disse.

O ministro informou que as novas medidas estão sendo formuladas em conjunto com os ministérios da Fazenda, Trabalho e Previdência Social. Ele frisou que a iniciativa tem ainda como meta garantir a manutenção da mobilidade social no atual cenário econômico. O ministro informou que uma das medidas que deve fazer parte desse esforço é a criação de uma espécie de "bolsa do trabalhador", que deve beneficiar aqueles que têm carteira profissional assinada e cuja renda mensal é baixa.

A expectativa é de que haja uma ampliação dos benefícios já existentes, como qualificação profissional, salário família e abono salarial do PIS/PASEP. "Nós temos de começar a criar mecanismos para apoiar aquele que trabalha, estimulando a sua qualificação", defendeu. "E há a vantagem complementar de melhorar também a produtividade, por meio do investimento na qualificação do trabalhador", ressaltou.


A chamada "nova classe média", que atingiu o patamar social nos últimos dez anos, está no foco eleitoral tanto do PT como do PSDB, que reconhecem que o apoio desse estrato social será decisivo para a disputa à sucessão presidencial em 2014. Esse grupo representa um universo de 29 milhões de pessoas, que fez da classe média o maior grupo social do País, com um total de 94 milhões de pessoas, ou seja, 51% da população brasileira.

O debate em torno da relevância dessa classe social ganhou força em artigo escrito, no início deste ano, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que reforçou a condição desse grupo como objeto de desejo do mundo político.

Acompanhe tudo sobre:Desenvolvimento econômicoCrescimento econômicoClasse CGoverno

Mais de Economia

PIB do Brasil em desaceleração? Entenda em 6 fatos

Onde fica o Brasil no ranking do PIB mundial em 2025

Brasil fica de fora das 10 maiores economias do mundo em 2025

Brasil registra 39ª maior alta do mundo no 4º trimestre PIB de 2025