Economia

“Governo é curto, mas agenda é longa”, diz assessor da Fazenda

Assessor da Fazenda acredita que reformas vão continuar: “Talvez eu seja ingênuo, mas sou otimista. Uma crise da magnitude que tivemos é pedagógica”

João Manoel Pinho de Mello, assessor especial de Reformas Microeconômicas do Ministério da Fazenda, durante palestra no EXAME Fórum em 4 de setembro de 2017 (Germano Luders/Exame)

João Manoel Pinho de Mello, assessor especial de Reformas Microeconômicas do Ministério da Fazenda, durante palestra no EXAME Fórum em 4 de setembro de 2017 (Germano Luders/Exame)

João Pedro Caleiro

João Pedro Caleiro

Publicado em 4 de setembro de 2017 às 15h52.

Última atualização em 4 de setembro de 2017 às 16h08.

São Paulo - João Manoel Pinho de Mello, assessor especial de reformas microeconômicas do Ministério da Fazenda, disse hoje no EXAME Fórum em São Paulo que "o governo é curto, mas a agenda é longa".

Segundo ele, a administração atual tem como meta assentar as bases de crescimento no longo prazo, algo como 3,5% anuais por algumas décadas.

"Tivemos enormes avanços institucionais, debelamos a inflação, estabilizamos o quadro macroeconômico, conseguimos (como o resto da América Latina) distribuir renda nos anos 90 e anos 2000, mas o desempenho da renda per capita foi aquém da possibilidade”, disse ele.

Por que isso aconteceu? A resposta não pode ser encontrada nos fatores tradicionais de produção como capital físico, capital humano e população ocupada, que diminuíram a diferença com os desenvolvidos.

A resposta estaria no "fermento" do crescimento: a produtividade. Segundo ele, uma visão antiga era de que a economia era improdutiva porque fatores de produção estavam presos em setores improdutivos.

Se a indústria tem bons empregos e bons salários, era para lá que os recursos deveriam ser direcionados, se necessário com intervenções setoriais.

Já o novo governo parte do princípio de que todos os setores são improdutivos por causa de fatores como o contencioso trabalhista e o tempo necessário para se preparar impostos:

"Quando os departamentos jurídicos são inchados, parte da mão de obra vai para resolver conflito e não para produzir riqueza, por exemplo", diz Mello.

Nesse caso, a resposta deve tomar a forma de intervenções transversais e horizontais que estimulem o aumento da produtividade.

Ele cita reformas já feitas, como a diminuição do conteúdo nacional no setor de óleo e gás, e outras em andamento, como a nova taxa de juros de longo prazo do BNDES, que deve ser votada nesta quarta-feira.

"Não tem bala de prata, e boa parte dessa agenda tem consenso até de atores que se esperaria antagonismo", diz ele, que afirma não existir uma ordem entre dar condições para as empresas competirem e expor as empresas à competição.

Outros eixos de atuação do governo atual, segundo ele, são a melhora da intermediação financeira e dos mercados de crédito com o objetivo de diminuir os spreads bancários:

"Tem que fazer o conjunto todo, não acredito em bala de prata", disse em referência à tentativa logo abortada, no primeiro governo Dilma Rousseff, de diminuir os juros.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira que em breve chegará ao Congresso uma reforma da lei de falências que garantirá maior proteção aos credores e ajudará empresas a se recuperar de dificuldades financeiras.

Mello acredita na aprovação de medidas como esta e na continuidade do processo em um novo governo:

“Talvez eu seja ingênuo, mas sou otimista. Uma crise da magnitude que tivemos é pedagógica”.

Acompanhe tudo sobre:CréditoCrescimento econômicoeventos-exameEXAME 50 AnosEXAME FórumFalênciasMinistério da Fazendaprodutividade-no-trabalhoSpread

Mais de Economia

Haddad vê espaço para negociação e diz que Brasil não tem motivo para temer tarifas de Trump

Alcolumbre defende Amapá como estado mais preservado do Brasil em debate sobre Margem Equatorial

Frete marítimo continua em queda com incertezas no comércio global

Fazenda reduz projeção de PIB de 2025 para 2,3%; expectativa para inflação sobe, para 4,8%