Economia

Fabricantes de bebidas frias ameaçam e governo adia imposto

Governo decidiu suspender por três meses o aumento da carga tributária de bebidas frias para evitar aumento de preços dos produtos durante a Copa


	Refrigerante: decisão foi tomada após encontro do ministro com representantes do setor de bebidas frias
 (Mario Tama/Getty Images/Getty Images)

Refrigerante: decisão foi tomada após encontro do ministro com representantes do setor de bebidas frias (Mario Tama/Getty Images/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 13 de maio de 2014 às 16h45.

Brasília - O governo voltou atrás e decidiu nesta terça-feira suspender por três meses o aumento da carga tributária de bebidas frias para evitar aumento de preços dos produtos durante a realização da Copa e mais pressão sobre a inflação.

"Temos grande preocupação que a inflação permaneça sob controle e esse setor pode dar contribuição importante. Fizemos um pacto de que não haverá aumento de preços durante a Copa e de preferência depois da Copa", disse o ministro das Fazenda, Guido Mantega.

A decisão foi tomada após encontro do ministro com representantes do setor de bebidas frias --cervejas, refrigerantes, isotônicos e refrescos-- e do segmento de bares e restaurantes e foi anunciada num momento em que a inflação oficial ameaça estourar o teto da meta do governo.

Antes do encontro, uma fonte do setor de bebidas havia informado à Reuters que o setor iria reajustar os preços em 5 por cento ao consumidor caso o governo não adiasse o aumento da carga tributária.

A associação de fabricantes de cerveja CervBrasil --integrada por Ambev, Brasil Kirin, Grupo Petrópolis e Heineken-- afirmou que "o diálogo permitiu que o aumento de tributos fosse prorrogado".

Enquanto isso, os pequenos fabricantes de refrigerantes reunidos na Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) afirmaram que o aumento nos impostos do setor representaria um acréscimo de até 30 por cento para os pequenos produtores de bebidas, enquanto as grandes corporações do setor seriam impactadas em menos de 10 por cento.

Procurada, a Ambev, líder em cervejas e refrigerantes no Brasil, preferiu não se pronunciar diretamente sobre o assunto, deixando para a CervBrasil falar em nome das empresas do setor.

Com a suspensão temporária, o governo adia a entrada em vigor do aumento da carga tributária de bebidas frias marcada para acontecer em 1º de junho.

Em abril, o governo havia anunciado o aumento de IPI e do PIS/Cofins sobre o setor, atualizando o redutor que define a tributação, e com expectativa de receitas extraordinárias de 1,5 bilhão de reais.

Mantega não explicou como fará para compensar o prejuízo. "Vamos refazer os cálculos e isso vai ser acomodado dentro de nossas disponibilidades", afirmou ele a jornalistas.

Após o anúncio da suspensão do aumento, as ações da Ambev passaram a leve alta no início desta tarde, invertendo baixa que chegou a mais de 1 por cento mais cedo.

Mantega indicou ainda que o aumento dos impostos, quando ocorrer, deverá ser escalonado.

"Não ficou definido em quanto tempo escalonaremos essa correção que está nessa nova tabela. Ou seja, a aplicação plena da tabela se dará ao longo do tempo, mas isso ainda vamos discutir com o setor."

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