No curto prazo, os investimentos nas indústrias geram inflação (.)
Da Redação
Publicado em 8 de junho de 2010 às 18h30.
São Paulo - Embora o ritmo de crescimento da indústria esteja em processo de redução nos dois últimos trimestres, o patamar continua elevado. Os analistas calculavam uma desaceleração mais forte da economia em geral neste início de ano, mas a indústria, o comércio varejista e o mercado de trabalho apresentam números robustos.
O economista da LCA Consultores Douglas Uemura acredita que esses resultados servem de argumento para os que defendem um aperto monetário mais rápido. "Ainda trabalhamos com uma alta de 0,75 ponto percentual na reunião de junho do Copom, mas essa previsão está sendo revista", diz Uemura. "Vale lembrar que até mesmo os investimentos, que aumentam a capacidade instalada da indústria no futuro, pressionam a inflação no curto prazo".
Está aí o maior dilema do momento. Se os empresários investirem agora para evitar gargalos no futuro, prejudicam ainda mais os índices de preços correntes. Se não investirem, faltará produção lá na frente para atender à demanda. O Banco Central, que não pode perder a meta de inflação de vista, já iniciou o ciclo de alta de juros.
A LCA, com base nos dados do IBGE e da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), calcula que o setor produtivo já retornou ao patamar pré-crise, após o tombo causado pela crise internacional no fim de 2008. Alguns setores, no entanto, ainda não estão totalmente recuperados. "Os bens de capital acumulam queda de 7% e o setor externo tem desempenho 6% inferior ao registrado no período pré-crise", diz Uemura.
Para quem ainda tem dúvidas sobre o perfil das exportações brasileiras, os dados são claros. Enquanto os produtos básicos acumulam crescimento de 20% em relação ao pico de 2008, os manufaturados caíram 18,7%. E os bens de capital amargam um tombo de 43%.