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Boletim Focus: IPCA volta a subir em 2024; PIB sobe e Selic cede para 11,25% em 2023

Veja as projeções do Banco Central para a economia brasileira

Moeda brasileira: veja o Boletim Focus da semana de 24 de outubro de 2022 (Getty/Getty Images)

Moeda brasileira: veja o Boletim Focus da semana de 24 de outubro de 2022 (Getty/Getty Images)

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Estadão Conteúdo

24 de outubro de 2022, 09h35

As expectativas para a alta do IPCA - índice de inflação oficial - em 2022 e 2023 continuaram a cair no Relatório de Mercado Focus, mas voltou a subir a mediana para 2024, um sinal desconfortável para a estratégia de política monetária.

A projeção para 2022 cedeu de 5,62% para 5,60%, a 17ª redução seguida. Há um mês, a mediana era de 5,88%. A previsão para 2023 passou de 4,97% para 4,94%, enquanto, para 2024, a estimativa acelerou de 3,43% para 3,50%. Há um mês, as medianas eram de 5 00% e 3,50%, nessa ordem. Os dados forma divulgados nesta segunda-feira, 24.

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Considerando somente as 102 estimativas atualizadas nos últimos 5 dias úteis, a mediana para 2022 passou de 5,56% para 5,60%. Para 2023, variou 4,93% para 4,92%.

As medianas na Focus para a inflação oficial em 2022 e 2023 estão se aproximando do teto da meta para esses horizontes, mas ainda apontam para três anos de descumprimento do mandato principal do Banco Central (BC), considerando o estouro de 2021. Para 2024, a projeção do mercado está acima do alvo central de 3 00%, mas aquém do limite superior de 4,50%.

A meta para 2022 é de 3,50%, com tolerância superior de até 5 00%, enquanto, para 2023, a meta é de 3,25%, com banda até 4 75%. Para 2024, os limites são de 1,50% e 4,50%.

Atualmente, o horizonte relevante da política monetária considera os anos de 2023 e, em menor grau, de 2024. Mas o BC tem dado ênfase ao horizonte de 12 meses até o primeiro trimestre de 2024.

No Comitê de Política Monetária (Copom) do BC desta semana, contudo, os dois anos devem passar a ter o mesmo peso para o colegiado. Como o horizonte é móvel, cada vez mais, o Copom vai olhar para a inflação em 2024 para tomar suas decisões.

Na Focus, a previsão para 2025 permaneceu em 3,00%, porcentual igual ao de 67 semanas atrás. A meta para o ano é de 3,00%, com intervalo de 1,5% a 4,5%.

No Copom de setembro, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 5,8% em 2022, 4,6 % em 2023 e 2,8% para 2024. O colegiado manteve a Selic em 13,75% ao ano, decretando o fim de seu mais longo ciclo de alta de juros.

Outros meses

Focus: IPCA para outubro de 2022 passa de 0,33%% para 0,37% -

Os economistas do mercado financeiro elevaram a projeção para o IPCA de outubro no Boletim Focus, de alta de 0,33% para avanço de 0,37%, mesmo porcentual previsto há um mês.

Para o IPCA de novembro, a estimativa passou de 0,45% para 0,41% de 0,50% um mês antes. Já para dezembro, a previsão mediana para o indicador variou de 0,70% para 0,68%. Era de 0,73% há quatro semanas.

A expectativa para a inflação suavizada para os próximos 12 meses também perdeu força, de alta de 5,24% para avanço de 5,13% - há um mês, estava em 5,09%.

PIB de 2022 sobe de 2,71% para 2,76%

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 24, mostrou nova melhora da estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022. A projeção para a alta do PIB em 2022 passou de 2 71% para 2,76%, contra 2,67% há um mês. Já a estimativa para a expansão do PIB em 2023 cresceu de 0,59% para 0,63%, ante 0,50% um mês antes.

Considerando apenas as 69 respostas nos últimos cinco dias úteis a estimativa para o PIB no fim de 2022 cedeu de 2,72% para 2 78%. No caso de 2023, houve 68 atualizações nos últimos cinco dias úteis, mas a mediana se manteve em 0,70%.

O Relatório Focus ainda mostrou aumento na projeção para o crescimento do PIB em 2024, de 1,70% para 1,80%. Para 2025, a mediana foi mantida em 2,00%. Quatro semanas atrás, as taxas eram de 1,75% e 2,00%, nessa ordem.

O Focus indicou também leve piora na projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2022. A mediana subiu de 58,40% para 58,50%, contra 58 40% um mês atrás.

Já a perspectiva para a relação entre resultado primário e o PIB deste ano se manteve em superávit de 1,00%. Há um mês, a mediana era de 0,90% do PIB. A relação entre déficit nominal e PIB em 2022 variou de 6,40% para 6,30%, contra 6,40% de quatro semanas antes.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

Em relação a 2023, a estimativa para a dívida líquida em relação ao PIB caiu de 63,39% para 62,95%, de 63,23% há um mês. A mediana para o déficit primário seguiu em 0,50% do PIB e, para o rombo nominal, permaneceu em 7,70% do PIB. Os porcentuais eram os mesmos há quatro semanas.

Balança comercial

Os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de superávit da balança comercial em 2022 de US$ 60,00 bilhões para US$ 56,15 bilhões, contra US$ 62,00 bilhões de um mês atrás, segundo a pesquisa Focus realizada pelo Banco Central. Para 2023 a projeção também cedeu de US$ 60,00 bilhões para US$ 56,00 bilhões, de US$ 59,90 bilhões há quatro semanas.

No caso da projeção de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos em 2022, a mediana passou de US$ 30,00 bilhões para US$ 32,25 bilhões, contra US$ 27,03 bilhões de um mês atrás. Em 2023, a projeção para o rombo em transações correntes continuou em US$ 34,00 bilhões. Há um mês, a expectativa era deficitária em US$ 31,82 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o rombo em transações correntes nesses anos. A mediana das previsões para o IDP em 2022 passou de US$ 66,00 bilhões para US$ 68,00 bilhões, ante US$ 61,00 bilhões de um mês atrás. Para 2023, variou de US$ 67,34 bilhões para US$ 70,00 bilhões, de US$ 65,00 bilhões há quatro semanas.

Câmbio para 2022 e 2023 permanece em R$ 5,20

O cenário da moeda norte-americana em 2022 e 2023 completou a 13ª semana seguida sem alterações no Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central (BC). A estimativa para o câmbio este ano continuou em R$ 5,20, mesmo valor de um mês antes. Para 2023, também permaneceu em R$ 5,20, repetindo a estimativa de quatro semanas atrás. A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020. Com isso, o BC espera trazer maior precisão para as projeções cambiais do mercado financeiro.

Mediana para Selic segue em 13,75% em 2022, e em 11,25% em 2023, aponta Focus

Na semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), o mercado financeiro manteve novamente o cenário para a taxa Selic neste e nos próximos anos, em linha com as últimas sinalizações dadas pelo BC. A projeção do Relatório de Mercado Focus para o fim deste ano continuou em 13,75% pela 18ª semana consecutiva. Já a estimativa de 11,25% para o término de 2023 foi renovada pela sétima semana seguida.

Considerando apenas as 81 respostas nos últimos cinco dias úteis a expectativa para o juro básico no fim deste ano também seguiu em 13,75%. Para o término de 2023, as 81 revisões feitas nos últimos cinco dias úteis não alteraram a mediana de 11,25%.

No Copom de setembro, o BC manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano decretando o fim do mais longo ciclo de alta de juros da história do comitê. A autoridade monetária indicou a manutenção da Selic nesse patamar por "período suficientemente prolongado" para alcançar a convergência da inflação para a meta, mas alertou que, caso a desinflação não ocorra como o esperado, pode voltar a subir os juros.

Depois, os membros do Copom sinalizaram que o BC estava confortável com o cenário que a Focus exibia para a Selic. "Usando a curva do Focus com corte em junho, mostramos que a gente atinge nossos objetivos", disse o presidente do BC, Roberto Campos Neto, na coletiva do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), em referência à convergência para a meta em 2024.

Campos Neto evitou, porém, dizer quão "suficientemente prolongada" deve ser a manutenção da Selic em níveis elevados para se que chegue às metas de inflação. "Deixamos claro que existem riscos para as projeções, que estamos vigilantes e que podemos inclusive voltar a subir os juros", destacou.

Atualmente, o horizonte relevante da política monetária considera os anos de 2023 e, em menor grau, de 2024. Mas o BC tem dado ênfase ao horizonte de 12 meses até o primeiro trimestre de 2024.

No Copom desta semana, contudo, os dois anos devem passar a ter o mesmo peso para o colegiado. Como o horizonte é móvel, cada vez mais, o Copom vai olhar para a inflação em 2024 para tomar suas decisões.

Conforme o Boletim Focus, a previsão para a Selic no fim de 2024 continuou em 8,00%, mesmo porcentual de um mês atrás. Já a mediana para o fim de 2025 permaneceu em 7,75%, de 7,63% quatro semanas antes.

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