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Aumento das importações é positivo, segundo Tendências

Para consultoria, compra de máquinas e equipamentos reflete aumento dos investimentos. Além disso, importação de bens de consumo serve para conter inflação

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Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 11h12.

O Brasil encerrou agosto com importações acumuladas no ano de 39,403 bilhões de dólares. Embora represente um volume 29,7% maior que o de igual período de 2003, a cifra não é considerada prejudicial para o necessário superávit comercial do país, segundo o economista Júlio Callegari, da Tendências Consultoria. O primeiro motivo é que a maior parte das importações reflete o ingresso de máquinas e equipamentos estrangeiros sinal de que as empresas estão investindo na expansão da capacidade de produção.

O segundo motivo é que uma parcela menor mas também importante dos importados é composta por bens de consumo. O ingresso de mercadorias estrangeira para o consumidor final serve como um freio ao aumento dos preços pelos produtores nacionais. Segundo Callegari, caso a demanda interna fosse atendida apenas pela produção das fábricas brasileiras, a retomada econômica geraria uma pressão inflacionária bastante forte. "O crescimento das importações é essencial para conter o ímpeto de reajustes internos de preços", afirma.

De acordo com o economista, como a importação serve indiretamente como um instrumento de controle de preços, isso permite inclusive que o Banco Central adote uma postura menos rígida em relação à política monetária, ou seja, a taxa de juros não precisa subir tanto para conter a inflação.

Superávit comercial

Entre janeiro e agosto, a balança comercial brasileira acumula superávit de 21,951 bilhões de dólares. A cifra é 45,12% maior que os 15,126 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Neste ano, as exportações já somam 61,354 bilhões, 34,8% maiores que as de 2003. Somente em agosto, o saldo comercial foi de 3,433 bilhões, correspondente a exportações de 9,506 bilhões e a importações de 5,623 bilhões. Em agosto do ano passado, o saldo havia sido de 2,673 bilhões.

"O resultado do ano não chega a surpreender e mostra que as exportações continuam num bom patamar", diz Callegari. O governo projeta superávit comercial de 30 bilhões de dólares neste ano, superior aos 24,8 bilhões de 2003. Para 2005, a consultoria Tendências aposta na continuidade do incremento das importações sem prejuízo do saldo comercial positivo. "Mesmo com o provável aumento das compras, esperamos que o saldo seja de 25 bilhões no próximo ano", afirma Callegari .

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