Alimentos: Serviços abaixo deve compensar alta dos alimentos em 2026 (Divulgação/Supermercados BH)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 08h20.
Em 2025, os preços dos alimentos subiram 2,95%, a menor alta desde 2023. O comportamento ajudou a conter o avanço da inflação oficial, que fechou o ano em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 1,5 a 4,5%.
Para 2026, a expectativa é de que esse alívio não se repita. Segundo André Braz, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a inflação dos alimentos pode voltar a ganhar força, encerrando o ano entre 3,5% e 4%, possivelmente acima da meta central do Banco Central, de 3%.
“A alimentação deve subir mais em 2026 porque ficou muito abaixo em 2025. É um movimento de compensação”, afirma Braz.
A projeção, segundo ele, considera um cenário base no qual as condições climáticas e o cenário internacional não tragam choques adicionais.
O Brasil deve renovar a safra de grãos nesse ano. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o país deve colher 355 milhões de toneladas.
O agro forte deve manter os preços abaixo da inflação registrada em 2024, de 7,69%, mas acima de 2025.
O economista explica ainda que, apesar da possível alta da alimentação, o comportamento de outros grupos pode ajudar a conter a inflação total.
“Serviços e preços monitorados devem subir menos do que em 2025, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados, que ainda pressionam o consumo e o mercado de trabalho”, diz.
Esses grupos representam mais da metade do peso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e dificultaram um índice ainda mais baixo no ano. O agregado de serviços acelerou de 4,78% para 6,01% em 2025.
Braz avalia que, na “queda de braço” entre os grupos, a inflação de 2026 pode terminar menor que a de 2025. A projeção dele para o IPCA do ano é de entre 3,8% e 3,9%, ainda dentro da margem de tolerância da meta.
Contudo, o economista aponta riscos importantes no radar. Entre eles, a escalada de conflitos geopolíticos que possam afetar o preço do petróleo, e eventos climáticos que prejudiquem safras agrícolas no Brasil ou em outros países exportadores.
“Se tudo der certo, o IPCA pode ficar abaixo de 4% no final de 2026. Mas se houver choques externos ou climáticos, os preços podem sair do controle e superar as projeções atuais”, conclui.