Lua de Júpiter, Europa (NASA/JPL-Caltech)
Redatora
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 09h11.
Um novo estudo publicado na revista Nature Communications levantou dúvidas sobre a existência de vida em Europa, lua de Júpiter. A pesquisa analisou o oceano subterrâneo do satélite e indica que o ambiente pode não ter as condições necessárias para manter organismos vivos.
Europa é considerada um dos principais alvos na busca por vida fora da Terra. Isso acontece porque a lua abriga um oceano escondido sob uma camada espessa de gelo. Mesmo assim, os novos dados mostram que esse oceano pode ser menos favorável do que se imaginava.
Os cientistas analisaram o fundo do oceano de Europa e compararam o cenário com o que ocorre na Terra. Nos oceanos de nosso planeta, áreas profundas apresentam atividade geológica, como rachaduras e vulcões submarinos, que liberam energia e substâncias químicas usadas por microrganismos. De acordo com o estudo, esse tipo de processo pode não ocorrer em Europa.
A pesquisa apontou que o fundo rochoso do oceano de Europa é muito rígido. Isso dificulta a formação de rachaduras, falhas e vulcões ativos. Sem esses processos, a troca de substâncias químicas fica limitada.
Os pesquisadores analisaram o tamanho da lua, a composição das rochas internas e a influência da gravidade de Júpiter. A conclusão é que quase não há atividade geológica no fundo do oceano, o que reduz a produção de energia necessária para a vida.
Sem uma fonte constante de energia, reações químicas importantes para microrganismos se tornam difíceis de ocorrer ou de continuar ao longo do tempo.
A lua de Júpiter tem cerca de 3.100 quilômetros de diâmetro, sendo um pouco menor que a Lua da Terra. A camada de gelo pode ter entre 15 e 25 quilômetros de espessura. Abaixo dela, o oceano pode chegar a até 150 quilômetros de profundidade.
Mesmo com essas limitações, esse oceano pode conter mais água líquida do que todos os oceanos da Terra juntos. Por isso, Europa continua sendo alvo de estudos científicos.
Diante disso, a pesquisa lembra que Europa reúne três elementos importantes para a vida: água líquida, compostos orgânicos e uma fonte de energia. O problema é que essa energia pode não ser suficiente para manter atividade no fundo do oceano.
Em 2024, a NASA lançou a missão Europa Clipper. A sonda deve começar sobrevoos detalhados em 2031 para estudar a estrutura interna da lua e avaliar se ela tem, ou já teve, condições de abrigar vida.
Com isso, os autores destacam que o estudo analisou apenas as condições atuais de Europa. Existe a possibilidade de que, no passado, a lua tenha sido mais ativa, o que poderia ter permitido a existência de vida em algum momento de sua história.