Ciência

Um gole do século XIX: arqueólogos provam bebida enterrada há 150 anos

Garrafa lacrada do século XIX foi encontrada em antiga cidade mineradora dos EUA e ainda guardava aroma e sabor.

Bebida de 150 anos: Depois de mais de um século no subsolo, o líquido ainda apresentou notas de frutas secas e um toque ácido (Alexandre Jaeger Vendruscolo/Stock.Xchng)

Bebida de 150 anos: Depois de mais de um século no subsolo, o líquido ainda apresentou notas de frutas secas e um toque ácido (Alexandre Jaeger Vendruscolo/Stock.Xchng)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 12 de março de 2026 às 05h24.

A arqueologia costuma trazer à tona moedas, ferramentas e ossos. Desta vez, trouxe algo mais animado.

Uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos encontrou uma garrafa de bebida alcoólica que passou cerca de 150 anos enterrada e resolveu fazer o que muita gente faria na mesma situação: provar o conteúdo.

Bebida sobreviveu há mais de um século

A descoberta, segundo a CNN, aconteceu em Alta, no estado de Utah, antiga cidade que viveu o auge da mineração de prata no século XIX. As escavações começaram após obras de construção e rapidamente viraram um sítio arqueológico cheio de objetos da época, incluindo capacetes de mineiros, munição, copos de dose e até um haltere antigo.

No meio de tudo isso, uma garrafa chamou atenção por um detalhe raro: estava intacta e ainda lacrada.

A bebida provavelmente foi produzida entre 1870 e 1890. Para não correr o risco de destruir o artefato, os pesquisadores decidiram não abrir a garrafa da forma tradicional. Em vez disso, especialistas retiraram uma pequena amostra do líquido usando uma agulha que atravessou a rolha. Assim, conseguiram analisar e provar o conteúdo sem comprometer o objeto histórico.

Sabor e aroma intactos

E o resultado foi surpreendente. Mesmo depois de mais de um século enterrada, a bebida ainda apresentava aroma e sabor reconhecíveis. Segundo Isaac Winter, especialista da destilaria envolvida na análise, em entrevista à CNN, o líquido tinha notas de frutas secas e um leve toque de vinagre, o que não é exatamente um vinho premiado, mas está longe de ser um desastre arqueológico.

Agora vem a parte mais curiosa: ninguém sabe exatamente o que havia ali dentro. As duas principais hipóteses são um tipo de xerez ou uma cerveja produzida na época em que a cidade fervilhava com mineiros em busca de prata. Novos testes devem ajudar a identificar a composição com mais precisão.

Além da curiosidade gastronômica, a descoberta pode revelar detalhes sobre o cotidiano dos trabalhadores que viveram naquela região no século XIX. Porque arqueologia também é isso: às vezes, entender o passado começa com algo bem simples. Um gole de história.

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