Ciência

Tempestade solar atinge nível severo e pode atrapalhar a internet

Evento de janeiro, o mais intenso desde 2003, provoca impacto em satélites, GPS e redes de dados em regiões de altas latitudes

Tempestade solar: fenômeno terá pico nesta terça-feira, 20 (Pitris/Getty Images)

Tempestade solar: fenômeno terá pico nesta terça-feira, 20 (Pitris/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 12h01.

No dia 18 de janeiro, uma erupção solar de classe X, seguida por uma ejeção de massa coronal (EMC), alcançou a Terra com velocidade incomum: cerca de 1.700 km/s. O evento gerou uma tempestade de radiação solar classificada como S4 (severo) e uma tempestade geomagnética G4 nesta terça-feira, 20, segundo a NOAA.

A severidade do episódio pode colocar em risco sistemas essenciais à conectividade global. Três pilares tecnológicos foram particularmente afetados: satélites de comunicação, infraestrutura GPS e redes elétricas que alimentam data centers e operadoras de telecomunicação.

Impacto nos satélites e redes de dados

Satélites geoestacionários podem ser afetados pela radiação de alta energia, com risco de falhas parciais em sistemas de controle. Empresas de internet via satélite, como Starlink e Viasat, monitoram possíveis degradações no serviço, especialmente em regiões de alta latitude.

A infraestrutura GPS está sujeita à perda de precisão nos sinais, o que pode interferir na sincronização de tempo usada por provedores de backbone. Durante uma tempestade similar em 2024, equipamentos agrícolas baseados em posicionamento de precisão chegaram a falhar por horas.

Em redes terrestres, correntes geomagneticamente induzidas têm potencial para comprometer transformadores de alta tensão em áreas vulneráveis. Até o momento, não houve colapsos, mas operadores de energia ativaram protocolos emergenciais, com redirecionamento de carga e desconexão preventiva de seções críticas.

Efeitos regionais e limites do impacto

As comunicações de rádio em rotas polares e operações offshore estão entre os sistemas mais expostos. No Brasil e em países tropicais, os efeitos tendem a ser atenuados pela distância do polo magnético.

Até o momento, não há registros de desligamento generalizado de internet residencial, falha de caixas eletrônicos ou interrupção de telefonia móvel. A redundância de satélites, o reforço das redes elétricas e o monitoramento prévio contribuem para mitigar impactos, diferentemente do apagão registrado na Suécia em 2003.

Risco contínuo e preparação

O evento de janeiro, embora severo, permanece controlado, mas reabre o alerta para a possibilidade de um episódio de escala superior, como o “Evento Carrington” de 1859. Simulações indicam que uma tempestade dessa magnitude poderia danificar permanentemente redes elétricas, destruir satélites e desestabilizar a internet global por semanas.

Especialistas recomendam ações preventivas, como reforço de proteções eletromagnéticas, manutenção de sistemas de backup energéticos e testes de resiliência de infraestruturas críticas contra eventos de clima espacial.

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