Polvo: Pele sintética inspirada em polvos muda cor e textura e abre caminho para robótica e materiais inteligentes (Joe Parks / Flickr)
Redatora
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 07h36.
Pesquisadores criaram uma pele sintética inspirada na biologia dos polvos, capaz de alterar cor e textura de forma precisa e controlada. A inovação abre novas possibilidades para robôs com camuflagem adaptativa, telas interativas e materiais inteligentes,
A novidade foi detalhada em um estudo publicado na revista científica Nature e repercutido pelo Financial Times.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que utilizou técnicas avançadas de fabricação de semicondutores para reproduzir os mecanismos naturais de camuflagem observados em cefalópodes, como polvos, lulas e chocos.
Diferente de materiais que mudam apenas a cor, a pele sintética criada consegue alterar simultaneamente a tonalidade e a textura da superfície. O efeito é obtido com um filme flexível dividido em duas camadas, permitindo controlar separadamente cor e relevo.
Segundo o estudo, superfícies mais lisas ou mais rugosas refletem a luz de maneiras diferentes, ampliando as possibilidades visuais sem depender apenas de pigmentos.
Para esculpir os detalhes com precisão, os pesquisadores usaram uma técnica de litografia que permite criar padrões minúsculos, quase na escala dos nanômetros.
Em testes de laboratório, o material mudou de aparência em cerca de 20 segundos após a aplicação de água e retornou ao estado original ao secar. Os cientistas também demonstraram cinco diferentes tons de cor, ajustados por concentrações variadas de um composto misturado à água.
Os autores afirmam que futuras versões da pele sintética poderão incluir controles digitais e sistemas de visão computacional, permitindo que o material responda automaticamente ao ambiente ao redor.
Entre as possíveis aplicações estão robôs com camuflagem adaptativa, displays dinâmicos, criptografia visual e obras de arte interativas, tornando o conceito de materiais inteligentes cada vez mais tangível.
Em declaração à Nature, Siddharth Doshi, pesquisador da Universidade de Stanford e autor do estudo, afirmou que é a primeira vez que se consegue combinar controle independente de cor e textura de forma natural, chegando perto da sofisticação da camuflagem dos polvos.
Especialistas independentes também comentaram os resultados. Para Alex Cagan, biólogo da Universidade de Cambridge, a pesquisa demonstra como princípios evolutivos podem inspirar soluções tecnológicas inovadoras.
Já Francisco Martin-Martinez, do King’s College London, destacou que a tecnologia pode futuramente viabilizar “peles inteligentes” adaptáveis, com aplicações que vão além da camuflagem, incluindo telas táteis com relevo variável.