Horário do café da manhã: pesquisadores sugerem que horários das refeições funcionam como marcador clínico e podem integrar estratégias para envelhecimento saudável (coffeekai/Thinkstock)
Redatora
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 06h30.
O horário do café da manhã pode influenciar a longevidade e a saúde. Um estudo do Mass General Brigham analisou hábitos alimentares de idosos e investigou como a primeira refeição do dia se relaciona ao envelhecimento.
A pesquisa, publicada na revista Communications Medicine, observou que atrasar o desjejum foi associado a maior risco de mortalidade e a pior saúde física e mental. Comer mais tarde também surgiu como um possível marcador clínico do estado geral de saúde em populações mais velhas.
O estudo acompanhou 2.945 adultos entre 42 e 94 anos, residentes no Reino Unido, durante mais de 20 anos. Ao longo do envelhecimento, os participantes passaram a tomar café da manhã e jantar mais tarde, além de reduzir a janela diária de alimentação.
O atraso da primeira refeição do dia foi associado a depressão, fadiga, piora da qualidade do sono e dificuldades no preparo dos alimentos. A pesquisa também identificou relação com pior saúde bucal e maior mortalidade no período de acompanhamento.
Indivíduos com predisposição genética ao cronótipo noturno apresentaram refeições em horários mais tardios, o que reforça a influência do ritmo circadiano sobre os hábitos alimentares.
Para os pesquisadores, alterações no café da manhã podem funcionar como um marcador simples do estado de saúde de idosos. Mudanças na rotina alimentar podem sinalizar problemas físicos e cognitivos antes da manifestação de sintomas clínicos.
Dessa forma, o estudo destacou que manter horários regulares para as refeições pode integrar estratégias de cuidado em populações mais velhas, auxiliando avaliações médicas e o monitoramento de idosos que vivem sozinhos.
O estudo também discutiu a popularização de dietas com janelas reduzidas de alimentação, como o jejum intermitente. Segundo os autores da pesquisa, possíveis benefícios documentados em adultos jovens não se aplicam automaticamente a indivíduos mais velhos.
Restrições alimentares em horários tardios podem ter efeitos distintos no metabolismo e no funcionamento cognitivo de idosos, o que exige avaliação individualizada antes da adoção desse tipo de prática.