Ciência

Parasita da malária usa ‘motor de foguete’ para sobreviver

Estudo revela reação química que movimenta cristais e pode abrir caminho para novos tratamentos e tecnologias microscópicas

Malária: cristais giratórios revelam 'motor' invisível (Agnès Pedrero/AFP)

Malária: cristais giratórios revelam 'motor' invisível (Agnès Pedrero/AFP)

Publicado em 27 de março de 2026 às 10h11.

O parasita da malária possui cristais microscópicos que se movimentam continuamente dentro das células, impulsionados por uma reação química semelhante à de motores de foguete.

O mecanismo foi descrito por pesquisadores da Universidade de Utah Saúde e ajuda a explicar como o organismo mantém parte de suas funções internas.

Em publicação na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a equipe analisou o comportamento do Plasmodium falciparum, responsável por formas graves da malária, e identificou que estruturas internas compostas por ferro permanecem em movimento enquanto o parasita está ativo.

Após a morte celular, essa atividade é interrompida.

Como os cristais se movem

Dentro do organismo, essas estruturas giram, colidem e se deslocam rapidamente em um espaço limitado. A velocidade e a irregularidade dificultavam a análise com métodos tradicionais.

Os dados indicam que o movimento é impulsionado pela decomposição do peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. A reação libera energia suficiente para manter as partículas em deslocamento contínuo.

Esse tipo de processo já é conhecido na engenharia aeroespacial, onde o peróxido de hidrogênio é utilizado como fonte de propulsão.

Testes laboratoriais mostraram que a substância, isoladamente, induz a rotação das partículas fora do parasita. Em condições com menor produção do composto, a velocidade observada diminuiu.

Por que o parasita precisa disso?

O peróxido de hidrogênio é gerado durante o metabolismo do organismo e pode causar danos quando acumulado.

A movimentação das estruturas está associada à decomposição dessa substância, contribuindo para o controle de compostos potencialmente nocivos.

O deslocamento também evita o acúmulo dos cristais, mantendo a capacidade de processamento de compostos de ferro dentro da célula.

Como esse mecanismo não ocorre em células humanas, ele passa a ser analisado em estudos voltados ao desenvolvimento de tratamentos.

Uma das linhas de pesquisa investiga a interrupção da reação química responsável pelo movimento, o que pode comprometer o funcionamento do parasita.

O estudo também aponta aplicações em nanotecnologia, incluindo o desenvolvimento de sistemas microscópicos para transporte de substâncias.

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