Ameba: estudo associa calor extremo, sistemas hídricos e vigilância ambiental à expansão de microrganismos capazes de abrigar patógenos (Andriy Onufriyenko/Getty Images)
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Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 08h20.
As amebas de vida livre, microrganismos capazes de abrigar patógenos e resistir ao tratamento da água, estão se expandindo globalmente. Um novo estudo publicado na revista Biocontaminant associa o avanço desses organismos a mudanças climáticas, falta de vigilância microbiológica e deterioração de sistemas hídricos, fatores que elevam o risco de infecções raras e desafiam estratégias de desinfecção.
A maioria das amebas é inofensiva. No entanto, algumas espécies são capazes de causar infecções graves e se manter ativas em condições que eliminariam a maior parte dos germes, incluindo calor extremo e cloro.
As amebas de vida livre são organismos unicelulares presentes no ambiente natural. Esses microrganismos podem ser encontrados em rios, lagos, reservatórios, piscinas, solos úmidos e sistemas de água encanada.
Pesquisadores da Universidade Agrícola de Shenyang afirmam que a elevação das temperaturas globais permite que espécies termofílicas se expandam para regiões antes incomuns.
Há também preocupação com atividades recreativas em ambientes aquáticos. Casos raros, porém graves, já foram associados à exposição em lagos ou rios durante períodos de calor intenso.
Entre as espécies que chamam mais atenção está a Naegleria fowleri, popularmente conhecida como “ameba comedora de cérebro”. Embora a infecção seja rara, costuma ser grave e está associada à entrada de água contaminada pelo nariz.
O estudo ressalta que a doença não ocorre por ingestão, mas por contato nasal durante mergulho ou natação.
Além do risco direto de infecções, as amebas podem funcionar como hospedeiras de bactérias e vírus, protegendo esses micróbios de processos de desinfecção. Pesquisadores descrevem esse mecanismo como um efeito “cavalo de Troia”, no qual patógenos potencialmente nocivos sobrevivem dentro das células das amebas e se espalham pelo ambiente aquático.
Essa interação pode dificultar o tratamento da água e favorecer a permanência de microrganismos resistentes, especialmente em sistemas envelhecidos ou pouco monitorados.
As mudanças climáticas foram identificadas como fator relevante para o surgimento de ambientes mais favoráveis às amebas. Ondas de calor, secas e degradação de reservatórios alteram a qualidade da água e favorecem a proliferação desses organismos.
Os pesquisadores também chamam atenção para os sistemas modernos de distribuição de água. Embora considerados seguros, eles podem fornecer abrigo para espécies capazes de sobreviver ao tratamento convencional com cloro.
Diante disso, o estudo defende uma estratégia baseada no conceito de Saúde Única (One Health), que integra vigilância ambiental, saúde pública e gestão hídrica. Entre as medidas sugeridas estão diagnósticos mais rápidos, monitoramento contínuo e melhorias no tratamento da água, reduzindo o risco antes que surtos ocorram.