Ciência

Não é barata: conheça o animal que sobreviveria ao fim da vida na Terra

Estudos mostram que microanimal resiste a asteroides, radiação extrema e até ao vácuo do espaço

Tardígrados: animais microscópicos conhecidos como um dos organismos mais resistentes do planeta ( dottedhippo/Getty Images)

 (Getty Images)

Tardígrados: animais microscópicos conhecidos como um dos organismos mais resistentes do planeta ( dottedhippo/Getty Images) (Getty Images)

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 16h54.

Asteroides gigantes, explosões de supernovas e até guerras nucleares estão entre os cenários mais extremos já analisados por cientistas como potenciais causadores do fim da vida na Terra. Ainda assim, estudos indicam que um pequeno animal microscópico poderia resistir a eventos capazes de dizimar quase todas as outras formas de vida do planeta: o tardígrado.

Conhecido popularmente como urso-d’água, esse microanimal mede cerca de 1 milímetro e se destaca por uma capacidade de sobrevivência considerada única na biologia.

O animal mais resistente da Terra

A história do planeta mostra que a vida é mais resistente do que parece. Há cerca de 250 milhões de anos, durante a extinção do Permiano, aproximadamente 90% das espécies desapareceram. Ainda assim, a vida se reorganizou e seguiu evoluindo.

Essa capacidade de persistência levou pesquisadores a questionar qual seria o último organismo a sobreviver em um cenário de colapso global — e os tardígrados surgem como os principais candidatos.

Por que os tardígrados são considerados quase indestrutíveis?

Experimentos laboratoriais e observações científicas mostram que os tardígrados conseguem suportar condições extremas, como:

  • ausência total de água por décadas
  • temperaturas próximas do zero absoluto ou acima de 150 °C
  • pressão intensa e radiação letal
  • exposição direta ao vácuo do espaço

Essas características fazem do tardígrado um dos organismos mais resistentes já estudados.

Criptobiose: o segredo da sobrevivência extrema

A principal explicação para essa resistência está em um mecanismo chamado criptobiose. Quando o ambiente se torna hostil, o tardígrado elimina mais de 95% da água do corpo e entra em um estado de animação suspensa.

Nesse estágio, o metabolismo praticamente para, permitindo que o animal permaneça inativo por anos — ou até décadas — e retorne à vida quando as condições voltam a ser favoráveis.

Asteroides, supernovas e explosões cósmicas

Um estudo publicado em 2017 por pesquisadores das universidades de Oxford e Harvard analisou os efeitos de eventos astrofísicos extremos, como impactos de asteroides gigantes, supernovas próximas e explosões de raios gama.

Segundo os cientistas, apenas fenômenos capazes de ferver todos os oceanos da Terra seriam suficientes para exterminar completamente os tardígrados. A probabilidade de isso ocorrer é considerada extremamente baixa no curto e médio prazo.

Guerra nuclear também não eliminaria os tardígrados

Simulações de conflitos nucleares em larga escala indicam que uma guerra desse tipo causaria resfriamento global, colapso da agricultura e destruição da vida complexa. Ainda assim, os tardígrados provavelmente sobreviveriam, graças à criptobiose.

Humanos, por outro lado, dependem de sistemas altamente sensíveis, como cadeias de suprimentos, clima estável e produção agrícola contínua.

De acordo com a astrofísica, o único evento capaz de eliminar definitivamente até os organismos mais resistentes será a evolução do Sol. Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o aumento progressivo da luminosidade solar tornará a Terra quente e seca demais para sustentar qualquer forma de vida conhecida.

Até lá, os tardígrados seguem como um lembrete de que a vida pode persistir mesmo quando o planeta deixa de ser hospitaleiro para os humanos.

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