Redatora
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 16h09.
Mulheres brasileiras apresentam pior qualidade e menor duração do sono em comparação aos homens. É o que indicam os dados mais recentes do Vigitel 2025, levantamento do Ministério da Saúde que incluiu, pela primeira vez, indicadores específicos sobre sono na população adulta.
A pesquisa analisou 833.217 entrevistas com pessoas de 18 anos ou mais, realizadas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, e revelou maior frequência de sono insuficiente e insônia entre mulheres, quadro associado a riscos à saúde física e mental.
O levantamento apontou que 21,3% das mulheres dormem menos do que o recomendado, ante 18,9% dos homens. A diferença aparece em 18 capitais e no Distrito Federal.
Os dados sobre insônia reforçam a desigualdade:
Em nenhuma capital o percentual masculino superou o feminino.
O levantamento mostra diferenças regionais relevantes. As maiores proporções de mulheres dormindo menos de seis horas foram registradas em:
Já os menores percentuais apareceram em:
Em relação à insônia, os maiores percentuais femininos foram observados em:
Segundo a médica Helena Hachul, ginecologista e especialista do Instituto do Sono, existem variações individuais, mas a recomendação geral é clara. A maioria dos adultos precisa de sete a oito horas de sono por noite.
Dormir menos do que isso de forma recorrente gera um débito de sono, com efeitos acumulativos no organismo.
A privação ou má qualidade do sono provoca consequências em diferentes prazos. Entre os efeitos de curto prazo estão:
A médio e longo prazo, o quadro está associado a maior risco de:
Especialistas apontam fatores hormonais e sociais. As diferenças começam na adolescência e se intensificam ao longo da vida reprodutiva.
Oscilações hormonais ligadas ao ciclo menstrual, à gestação, ao pós-parto, à perimenopausa e ao climatério interferem diretamente na estrutura do sono. Condições como cólica menstrual e síndrome dos ovários policísticos também impactam a qualidade do descanso.
Além disso, a sobrecarga de tarefas, e o acúmulo de responsabilidades contribuem para níveis mais elevados de estresse, fator que agrava os distúrbios do sono.
Especialistas recomendam medidas de higiene do sono, como:
Essas estratégias ajudam a regular o ritmo biológico e podem reduzir sintomas de insônia.