Faltou profissionalismo da Anvisa, diz responsável pela vacina Sputnik V
Para Kirill Dmitriev, CEO do fundo russo que produz o imunizante, a decisão da agência brasileira foi influenciada pelos EUA
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André Lopes
Publicado em 27 de abril de 2021 às 11h09.
Última atualização em 27 de abril de 2021 às 22h59.
OFundo Russo de Investimento Direto (RDIF), responsável pela produção e desenvolvimento da vacina Sputnik V, em coletiva feita nesta terça-feira, 27, se defendeu das alegações contra o imunizante feitas pela Anvisa ao negar a importação da vacina para o Brasil, na segunda-feira, 26.
Segundo CEO do Fundo, Kirill Dmitriev, a decisão foi enviesada por questões políticas. "Achamos que uma das explicações para a negativa da Anvisa é a influência americana", disse ele, levantando a hipótese de que Washington buscou orientar o Brasil em favor do veto da vacina russa.
Durante a fala, o CEO russo ainda afirmou que faltaram apontamentos baseados na ciência por parte da agência brasileira e que foram desprezados os dados favoráveis levantados por outros países. "Anvisa foi pouco profissional. Ela (agência) alega que foram encontradosvestígiosdo vírus na vacina, masnóstemos testes que mostram o contrário. Aplicamos um dos processos de purificação e filtragem do vírus mais avançados do mundo, ainda que ele torne a produção mais cara que boa parte dos imunizantes disponíveis".
Ele também destacou que a Sputnik já foi aprovada para uso em 61 países, tendo passado por importantes agências reguladoras. E que pesquisas do México e Argentina apontam a vacina russa como mais segura até mesmo que a da Pfizer. “Nossa vacina não possui os problemas de efeitos adversos como coágulos cerebrais que as outras vacinas estão registrando".
Por fim, deu o tom de que o Brasil é quem precisa correr atrás do imunizante, ainda que o fundo e o Instituto Gamaleya estejamdisponíveispara prestar os esclarecimentos que a Anvisa precisar. “Acreditamos que os estados possam fazer pressão poruma decisão contrária, mas não vamos nos envolver".
O parecer da Anvisa
Em sua decisão na noite de ontem, a Anvisa considerou haver falhas técnicas para liberar a importação da Sputnik V pelos Estados. Apontou ausência de dados essenciais para garantir a segurança do uso da vacina. E também relatou a falta de transparência e acesso às instalações onde foi desenvolvida a vacina russa.Um dos principais argumentos da Anvisa foi o de que dois adenovírus usados pela Sputnik V para gerar a imunidade no organismo poderiam ganhar capacidade de replicação, por consequência, causar uma infecção do vírus. Também foi ponderado que essa informação não foi levada em conta pelos países que aprovaram a vacina de maneira emergencial, pois tiveram pouco tempo para serem criteriosos.