Finlândia: estudo identificou nanopartículas do metal em folhas de árvores (Veeterzy/Unsplash)
Redação Exame
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 08h01.
Pesquisadores descobriram que árvores em uma região de um dos países mais felizes do planeta apresentam partículas microscópicas de ouro em suas folhas. A descoberta inédita foi feita por cientistas que estudam as florestas do norte da Finlândia, país que lidera repetidamente o World Happiness Report como um dos mais felizes do mundo, segundo dados internacionais sobre bem-estar social e qualidade de vida.
O estudo, feito na Universidade de Oulu, na Finlândia, analisou agulhas de abeto-norueguês (conhecido como Norway spruce), uma árvore típica das florestas boreais finlandesas. As amostras foram coletadas próximo à mina de ouro de Kittilä, uma das maiores da Europa, localizada na região ártica da Lapônia. Em algumas das amostras, os cientistas identificaram nanopartículas de ouro incrustadas nos tecidos das agulhas.
Segundo os pesquisadores, as partículas não estão simplesmente aderidas à superfície das folhas: elas se formam dentro das agulhas por meio de um processo biológico complexo. Microrganismos — especialmente pequenas bactérias que vivem dentro dos tecidos da árvore — parecem transformar partículas de ouro dissolvidas no solo em partículas sólidas dentro das agulhas. Esse processo natural é chamado de biomineralização.
Os cientistas coletaram 138 amostras de 23 árvores diferentes. Em apenas quatro foram encontradas partículas de ouro, o que indica que o fenômeno não ocorre em todas as árvores, mas é real e detectável com equipamentos especializados. As nanopartículas são extremamente pequenas, medidas em milionésimos de milímetro, e não têm valor econômico direto para extração ou mineração tradicional.
A presença dessas partículas pode, no entanto, oferecer uma nova ferramenta para a exploração mineral sustentável. Os pesquisadores sugerem que análises de árvores e outras plantas podem ajudar a identificar depósitos minerais sob o solo sem recorrer imediatamente a técnicas de escavação mais invasivas. Isso pode tornar a prospecção de ouro e outros metais mais eficiente e menos impactante ao meio ambiente.
Os especialistas afirmam que, apesar da quantidade de ouro encontrada ser microscópica, a descoberta amplia o entendimento sobre como as plantas interagem com minerais no solo. O estudo pode inspirar novas pesquisas sobre como micro-organismos e árvores trabalham juntos para movimentar e transformar elementos químicos na natureza, com possíveis aplicações futuras na ciência ambiental e geológica.