Ciência

Baleia adota 'relacionamento aberto' para sobreviver

Acasalamento com diversos parceiros é crucial para garantir a diversidade genética e a continuidade desta pequena população de baleias belugas

Baleias: estudo comprova que não-monogamia desta espécie garante sua longevidade (Michael Zeigler/Getty Images)

Baleias: estudo comprova que não-monogamia desta espécie garante sua longevidade (Michael Zeigler/Getty Images)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 05h01.

Tudo sobreOceanos
Saiba mais

Uma população de 2 mil baleias beluga na Baía de Bristol, no Alasca, adota uma estratégia reprodutiva curiosa para sobreviver: machos e fêmeas mantêm múltiplos parceiros ao longo da vida.

A pesquisa, publicada na revista Frontiers in Marine Science, analisou dados genéticos de 623 indivíduos coletados pelo Instituto Oceanográfico Harbor Branch da Universidade Atlântica da Flórida.

Cientistas esperavam encontrar padrão poligínico, no qual poucos machos dominantes concentram a reprodução. Os dados mostraram que, na verdade, machos e fêmeas acasalam com múltiplos parceiros em diferentes temporadas, caracterizando um sistema chamado de poliginandria.

Como esse 'relacionamento aberto' funciona? 

A longevidade das belugas, que podem viver até um século, explica a estratégia. Machos distribuem esforços reprodutivos ao longo de décadas, evitando concentração de paternidade para garantir equilíbrio genético.

Fêmeas também trocam de parceiros entre temporadas, aumentando chances de gerar filhotes geneticamente diversos. Fêmeas mais velhas têm mais descendentes sobreviventes, indicando que experiência melhora escolhas reprodutivas.

O sistema poliginândrico distribui genes de forma uniforme, aumentando o número efetivo de indivíduos que contribuem para a próxima geração. Isso limita as chances de acasalamento entre espécies aparentadas e preserva diversidade genética, algo essencial que se provou essencial para a sobrevivência de populações pequenas e isoladas como a da Baía de Bristol.

Acompanhe tudo sobre:AnimaisOceanos

Mais de Ciência

Seis orcas são avistadas no mar de Santos; veja vídeo

Homem abre mão de fortuna bilionária para morar em ilha deserta e plantar 16 mil árvores

Araras-canindés são soltas no Rio de Janeiro após mais de 200 anos

O benefício oculto de ter cachorros e gatos, segundo a ciência