Polilaminina: entenda como funciona a droga (Amanda Perobelli/Reuters)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08h46.
A farmacêutica Cristália afirmou que a Polilaminina, uma droga que promete revolucionar o tratamento de lesões na medula em humanos, poderá ser totalmente produzida no Brasil.
A fase de testes do medicamento foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de janeiro após a Justiça brasileira conceder a autorização da aplicação da substância em pacientes em situação emergencial.
De acordo com o laboratório, ao menos 14 pedidos foram protocolados, com nove aplicações já feitas no total. Em todos os casos, a farmacêutica teve de entregar as doses para o paciente sem cobrar o custo de produção.
Agora, a Cristália afirmou as doses que irão compor a fase clínica inicial do estudo e futuras aplicações por decisão judicial serão produzidas no país.
Isso acontece porque o medicamento é feito a partir de uma proteína isolada da placenta e foram doadas amostras suficientes de placenta de hospitais no interior de São Paulo.
A empresa acredita que, caso consiga o registro na Anvisa após os testes, será possível expandir a produção e mantê-la no país. A Polilaminina vem sendo estudada pela Universidade Federam do Rio de Janeiro (UFRJ) há 20 anos.
A Polilaminina é uma substância formada a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo humano e em outros animais. A laminina tem papel importante na estrutura dos tecidos e na comunicação entre células, especialmente no sistema nervoso.
No estudo autorizado pela Anvisa, será utilizada laminina na concentração de 100 microgramas por mililitro em forma de solução injetável. Antes da aplicação, essa solução será misturada a um diluente específico, processo que resulta na Polilaminina, também chamada de laminina polimerizada.
A aplicação será feita uma única vez, diretamente na medula espinhal lesionada, por meio de um procedimento chamado administração intramedular, que consiste na injeção do medicamento no local da lesão. Na formulação testada, a laminina será extraída de placenta humana.