Dia da Preservação da Camada de Ozônio: oito coisas que você precisa saber

Você tem ideia, por exemplo, de quais seriam as consequências para a vida na Terra se as substâncias nocivas ao ozônio não tivessem sido restritas?
 (James Cawley/Getty Images)
(James Cawley/Getty Images)
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RedaçãoPublicado em 16/09/2021 às 08:00.

Em 16 de setembro é celebrado um marco histórico para a conservação do planeta. Na mesma data, em 1987, foi firmado o Protocolo de Montreal, um acordo internacional para proteger a camada de ozônio, com ações para a eliminação progressiva da produção e do consumo das substâncias que a destroem. Por isso, foi escolhida pela ONU como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio

Para ter um panorama sobre o tema e saber como andam os esforços internacionais para a sua regeneração após o tratado global, selecionamos oito informações essenciais.

Mocinho x vilão

O ozônio é um gás composto por três átomos de oxigênio (O3), que pode ser bom ou ruim dependendo da altura em que está. Quando se encontra no alto da atmosfera (estratosfera), onde é naturalmente produzido, é fundamental para a saúde humana, de animais, plantações e ecossistemas.

Por outro lado, quando está próximo da superfície terrestre (troposfera), se torna tóxico. Esse ozônio “ruim” é um poluente emitido por processos de combustão, principalmente de indústrias e veículos.

Filtro solar da Terra

A camada de ozônio é onde está o “ozônio bom”. É uma região de alta concentração desse gás na estratosfera, cerca de 20 a 35 km da superfície terrestre. Ela atua como um escudo invisível contra as ações nocivas da radiação ultravioleta (UV) do sol, particularmente a UV-B, sendo essencial para proteger todo tipo de vida. 

O buraco

Nos anos 1970, foi detectado pela primeira vez um buraco na camada de ozônio sobre a Antártida. E desde então uma série de registros mostra que ela também se tornou mais fina em várias partes, especialmente nas regiões próximas do Pólo Sul e, mais recentemente, do Pólo Norte.

É possível acompanhar como está a camada de ozônio no centro de monitoramento da Nasa. O vídeo abaixo, por exemplo, mostra sua progressão no segundo semestre do ano passado no Hemisfério Sul (a área mais azul é o buraco na Antártida).


SDOs

As falhas na camada se devem ao acúmulo de gases contendo halogênios (chamados coletivamente de SDOs – substâncias destruidoras da camada de ozônio), que eram amplamente usados em milhares de produtos do cotidiano das pessoas no mundo todo, como geladeiras, latas de aerossol, inaladores para asma, eletrônicos, painéis de carros, colchões, espumas de isolamento e até solas de sapato.

Desses gases, os com maior poder destrutivo do ozônio estratosférico são um grupo chamado clorofluorcarbonos, os CFCs. Para se ter uma ideia, quando uma molécula de CFC atinge a estratosfera, ela se decompõe e libera cloro. E um único átomo de cloro pode destruir até 100.000 moléculas de ozônio. 

Objetivos em andamento

Desde o início, os 197 países signatários do Protocolo de Montreal têm atingido as metas estabelecidas de restrição dos SDOs. O Brasil, em 2010, extinguiu o consumo dos CFCs, por exemplo, que não é mais produzido no mundo todo (mas ainda existe, devido a produções clandestinas).

Não há fabricação de SDO por aqui e as ações de controle, gerenciadas pelo Ibama, se dão no processo de importação dessas substâncias.

Novo alvo

O foco agora é eliminar os hidrofluorcarbonos (HFCs), que foram adotados como substitutos aos SDOs. O motivo: apesar de menos agressivos, descobriu-se que são poderosos gases de efeito estufa.

Por isso, foi feito um complemento ao Protocolo sobre esses gases, a Emenda de Kigali, que deve evitar 0,4 °C do futuro aquecimento global até o final do século. Segundo o Ibama, alguns HFCs são mais de mil vezes mais potentes do que o dióxido de carbono na contribuição para a mudança climática.

O Brasil tem metas graduais para a erradicação desse composto por meio do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs. Até este ano, a redução do consumo no país foi de 51,6%, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é que não sejam mais usados até 2040.

A caminho da recuperação

Todas essas ações têm dado resultado. A última avaliação da Organização Meteorológica Mundial concluiu que, apesar de os danos ainda não terem sido desfeitos, a camada de ozônio vem se recuperando lentamente, com uma tendência clara de diminuição da área do buraco, sujeita a variações anuais.

Há boas chances de, até 2060, ela voltar ao patamar anterior aos anos de 1980 (a demora se deve à longa vida útil dos produtos químicos na atmosfera).

E se não houvesse o Protocolo de Montreal?

Sem o acordo global, em meados deste século a redução da camada de ozônio teria se espalhado por todo o planeta, segundo projeção do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. E essa destruição descontrolada teria importantes consequências. 

  • A radiação nos trópicos atingiria, nas próximas décadas, níveis cinco vezes maiores do que é considerada hoje uma radiação ultravioleta extrema;
  • O risco de câncer de pele aumentaria substancialmente em todo o mundo. Até 2030, calcula-se que cerca de dois milhões de casos por ano terão sido evitados graças ao Protocolo;
  • Apenas os Estados Unidos contabilizariam quase 63 milhões de casos a mais de catarata (em pessoas nascidas no país entre 1890 e 2100);
  • A produção agrícola mundial teria reduzido substancialmente;
  • Nos oceanos, que são os maiores ecossistemas do planeta, caderas inteiras teriam sido interrompidas, ameaçando a biodiversidade;
  • Haveria danos diretos a crustáceos e ovos de peixes, prejudicando a pesca e outros recursos aquáticos importantes para o abastecimento global de alimentos;
  • Estariam em risco plantas, animais e micróbios, essenciais inclusive para absorver dióxido de carbono da atmosfera;
  • Os prejuízos às plantas também diminuiriam os alimentos disponíveis para os herbívoros, com consequências para toda a cadeia alimentar;
  • O acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, que está causando as mudanças climáticas, seria agravado. A radiação intensa alteraria ainda o ciclo do nitrogênio e outros produtos químicos no meio ambiente, o que pioraria a poluição do ar;
  • Até materiais naturais e sintéticos – como madeira, plástico, borracha e, inclusive, os usados ​​em alguns painéis solares – seriam comprometidos. 

Fontes: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, WWF, Ibama, Ministério do Meio Ambiente, Organização Meteorológica Mundial, Nasa, Agência Europeia do Meio Ambiente