Nebulosa do Anel: astrônomos buscam respostas para explicar a origem de uma faixa de ferro ionizado (Divulgação)
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Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 07h13.
Astrônomos identificaram uma estrutura incomum na Nebulosa do Anel. Trata-se de um filamento metálico composto por átomos de ferro ionizados que pode ser o remanescente de um planeta rochoso vaporizado há milhares de anos.
A descoberta, detalhada em um estudo publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sugere novos caminhos para investigar a morte de estrelas e o destino de sistemas planetários.
A Nebulosa do Anel, também chamada Messier 57, fica a cerca de 2.600 anos-luz da Terra, na constelação de Lira. O objeto se formou quando uma estrela com o dobro da massa do Sol expulsou suas camadas externas e se tornou uma anã branca. Sua composição inclui hidrogênio, hélio e pequenas quantidades de elementos mais pesados.
A estrutura metálica identificada pelos pesquisadores se estende por aproximadamente 6 trilhões de quilômetros e aparece como uma faixa avermelhada na imagem obtida pelo instrumento WEAVE, instalado no Telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias.
A barra é formada por ferro ionizado quatro vezes, um tipo de plasma que não se encaixa nos modelos tradicionais de formação da nebulosa. Além disso, nenhum outro elemento apresentou o mesmo padrão espacial, o que aumenta o enigma sobre sua origem.
Uma das hipóteses em análise é que o ferro seja o resultado da vaporização de um planeta rochoso que orbitava a estrela antes da fase final de sua evolução. Apesar de especulativa, a hipótese se apoia no fato de que planetas internos, como Mercúrio, Vênus e Terra, contêm ferro suficiente para formar uma estrutura semelhante.
Se confirmada, a descoberta teria implicações diretas para o destino dos sistemas planetários — inclusive o Solar — quando estrelas passam pela fase de gigante vermelha.
A revelação só foi possível devido ao WEAVE, que utiliza espectroscopia (estudo da interação entre a radiação eletromagnética e a matéria) para identificar elementos químicos e medir suas propriedades físicas em larga escala. Embora seja estudada desde 1779 e amplamente conhecida por astrônomos amadores e profissionais, a Nebulosa do Anel ainda revela características inéditas quando investigada com tecnologias mais recentes.
A equipe agora pretende mapear a distribuição de outros elementos na nebulosa para determinar se o ferro está associado a gases expelidos pela estrela ou a restos de algum corpo planetário.
Esses objetos funcionam como laboratórios naturais para observar a evolução das estrelas e o ciclo químico da Via Láctea. Quando chegam ao fim da vida, estrelas ejetam elementos formados por fusão nuclear, enriquecendo o meio interestelar e dando origem a novas gerações de estrelas e planetas.
A presença da "barra de ferro" pode ampliar essa dinâmica, indicando que planetas rochosos também podem liberar metais quando são destruídos durante a fase final de sua estrela.