Ciência

Adoçante ou açúcar? Estudo associa eritritol a maior risco de AVC

Ingrediente aparece em produtos “fit”, low carb e sem açúcar, comuns entre quem busca adotar hábitos de vida mais saudáveis

Açúcar: substituição da produto para o adoçante pode não ser tão saudável como parece (Chokja/Thinkstock)

Açúcar: substituição da produto para o adoçante pode não ser tão saudável como parece (Chokja/Thinkstock)

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 06h32.

O eritritol, adoçante usado em produtos sem açúcar, pode estar associado a alterações na função dos vasos sanguíneos e a danos em células que protegem o cérebro. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Colorado sugere que o composto pode interferir em mecanismos ligados à circulação e à formação de coágulos, o que, segundo os autores, pode elevar o risco de eventos como AVC (derrame) e complicações cardiovasculares.

O tema chama atenção porque a substância aparece em alimentos e bebidas que muitas pessoas consomem com frequência por acreditar que são escolhas mais saudáveis do que versões com açúcar. Na prática, o ingrediente pode estar presente em diferentes produtos do dia a dia, sobretudo os rotulados como “zero açúcar” ou “low carb”.

Eritritol: o que é e onde aparece

O eritritol é um tipo de álcool de açúcar, também chamado de poliol, usado como alternativa ao açúcar refinado em alimentos industrializados. Ele é comum em produtos para pessoas com diabetes, além de itens consumidos por quem busca reduzir calorias ou cortar açúcar da dieta.

O adoçante costuma aparecer com frequência em:

  • barras de proteína
  • bebidas energéticas e refrigerantes sem açúcar
  • doces diet e sobremesas “zero açúcar”
  • snacks proteicos e suplementos

Por ter menor impacto glicêmico do que o açúcar refinado, o eritritol é utilizado para adoçar alimentos sem elevar tanto a glicose no sangue, o que ajuda a explicar sua popularização nos últimos anos.

Apesar disso, o estudo destaca que o fato de um produto não conter açúcar não significa, necessariamente, que ele seja isento de efeitos no organismo.

Risco de AVC e problemas cardíacos

De acordo com os pesquisadores, o eritritol pode afetar a barreira hematoencefálica, estrutura que funciona como um filtro de proteção entre o sangue e o cérebro. Em testes laboratoriais, a exposição ao adoçante foi associada a danos nas células que formam essa barreira, o que pode deixar o cérebro mais vulnerável a processos ligados à formação de coágulos — um dos principais fatores associados ao acidente vascular cerebral.

O estudo também aponta possíveis impactos na forma como os vasos sanguíneos controlam o fluxo de sangue. Segundo os autores, o eritritol reduziu a produção de óxido nítrico, substância relacionada à dilatação dos vasos, e aumentou os níveis de endotelina-1, molécula associada à contração vascular.

Esse desequilíbrio pode favorecer o estreitamento excessivo das artérias e reduzir o transporte de oxigênio e nutrientes para o cérebro, o que, de acordo com a pesquisa, pode contribuir para eventos cardiovasculares e neurológicos.

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