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Museu Nacional reabrirá as portas em 2026 com novo acervo de 1.104 fósseis; veja imagens

A reconstrução física do museu será custeada tanto pela iniciativa pública quanto pela privada, em projeto avaliado em R$ 445 milhões

Museu Nacional: projeto de reestruturação chega ao novo acervo da instituição pela iniciativa privada (Diogo Vasconcellos/Divulgação)

Museu Nacional: projeto de reestruturação chega ao novo acervo da instituição pela iniciativa privada (Diogo Vasconcellos/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de POP e Redatora da Homepage

Publicado em 7 de maio de 2024 às 18h46.

Última atualização em 7 de maio de 2024 às 20h49.

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Depois do incêndio que tomou conta do Museu Nacional do Brasil em 2018, a maior parte do acervo de 20 milhões de itens, em especial os fósseis, foi destruída. Mas aquilo que foi perdido já se encaminha para ser recuperado.

Nesta terça-feira, 7, Frances Reynolds, um dos maiores nomes no cenário das artes plásticas do país e do mundo, anunciou em conjunto com a direção do museu a doação de mais de mil fósseis para o acervo.

Situados na bacia do Araripe, localizada no Ceará, Pernambuco e Piauí, 80% dos itens serão expostos quando o Museu Nacional, instituição que completa 206 anos em 2024, reabrir suas portas. A reinauguração está prevista para o primeiro semestre de 2026, segundo Alexander Kellner, atual diretor da entidade.

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O novo acervo de fósseis, que inclui uma peça rara do crânio completo de um Tupandactylus imperator, espécie de pterossauro brasileiro, foi concedido pelo Grupo Interprospekt, em parceria com o Instituto Inclusartiz, ONG destinada à promoção de arte contemporânea global, do qual Reynolds atua como presidente. Os mais de mil itens doados faziam parte da coleção de Burkhard Pohl, colecionador de fósseis, junto do paleontólogo Frederic Labombat, ambos da Alemanha. Foram mais de dois anos de negociação.

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Da esquerda para a direita: Burkhard Pohl (colecionador e doador), Frances Reynolds (ativista cultural responsável pela negociação), Alexander Kellner (diretor do Museu Nacional) e Rüdiger Pohl (Diogo Vasconcellos/Divulgação)

Reynolds atendeu ao chamado de Kellner para a reconstrução do acervo do museu. Ao todo, foram realizadas mais de 10 visitas a Pohl, algumas delas acompanhada por Kellner e outros paleontólogos brasileiros.

"Contei a história do museu, expliquei sua importância para o Brasil e o convenci sobre a importância de doar esses fósseis para a instituição", resume ela. Uma vez acertada a ponte, ao longo de 2022 e 2023, eles partiram para os detalhes contratuais e de transferência do acervo.

O material já está no Rio de Janeiro, e todo o processo de chegada foi registrado pelo Instituto Inclusartiz e a Isabella Produções, também liderada por Frances, num documentário sobre a recomposição do acervo que está em produção. 

O doador principal, Burkhard Pohl, é neto de Karl Stroeher (1890-1977), cuja coleção de arte formou a base do Museu de Arte Moderna de Frankfurt, e filho de Erika Pohl-Stroeher, que reuniu a maior e mais refinada coleção de minerais e gemas da Europa. Burkhard adquiriu, nas últimas décadas, uma ampla variedade de fósseis em feiras internacionais na Europa e nos Estados Unidos.

Novos fósseis únicos

Além do Tupandactylus imperator, o novo acervo contará com inúmeros fósseis de plantas, penas, anfíbios e inúmeros insetos. Uma peça de um outro pterossauro, com dentes e mandíbula preservados, também compõe a coleção. No total, são 1.104 itens doados, vindos de duas unidades ricas em material paleontológico que datam, respectivamente, de 115 milhões e 110 milhões de anos.

Outro item de destaque é o holótipo – espécime de referência usado para descrever novas espécies – de Tetrapodophis amplectus, um fóssil único e extensivamente estudado.

“Alguns argumentam que ele representa a espécie mais antiga de cobra, posicionada como a forma de transição entre lagartos e cobras, sugerindo a América do Sul – especificamente o Brasil – como o local de nascimento das primeiras cobras”, explica Pohl.

Dois fósseis de dinossauros, provavelmente pequenos dromeossaurídeos ainda não descritos na literatura científica, também estão na lista dos fósseis que ainda serão enviados ao novo acervo do museu. São esqueletos únicos.

Reconstrução do museu

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Museu Nacional, no Rio de Janeiro: incêndio em 2018 motivou a regulamentação dos fundos patrimoniais filantrópicos | Francisco Proner Ramos/AGIF /

A reconstrução física do museu será custeada tanto pela iniciativa pública quanto pela privada. O novo projeto, avaliado em R$ 445 milhões, já compreende mais de 6 mil metros quadrados destinados à nova exposição, com mais de 10 mil peças.

"É triste dizer isso, mas o que foi perdido não tem como ser reconstituído. Aquilo que não foi totalmente queimado segue para uma reestruturação, mas estamos focados em trazer itens novos para a reabertura do museu", declarou Kellner durante coletiva de imprensa da qual a EXAME fez parte.

Novos detalhes sobre o investimento público na reestruturação do museu serão anunciados no dia 5 de junho, em audiência pública no Congresso Nacional, no âmbito da Comissão de Cultura. Até a publicação desta matéria, 60% da verba pública já foi capitalizada, um total de R$ 369,3 milhões. Destes, R$ 164,8 milhões vêm de recursos públicos e R$ 100,5 milhões da iniciativa privada.

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