Embora vitoriosa no CBLoL, INTZ abre o Mundial de LoL com duas derrotas

Equipe que representa o Brasil no Mundial de League of Legends tem início conturbado

No dia 5 de setembro deste ano, 395.000 pessoas estavam conectadas ao mesmo tempo para assistir à final do Campeonato Brasileiro de League of Legends. A disputa entre paiN Gaming e INTZ, que consagrou a INTZ como pentacampeã do torneio, aconteceu na cobertura de um prédio da zona sul de São Paulo e foi transmitida pela Twitch e pelo YouTube.

Nesta sexta-feira, 25, começou a trajetória da equipe pelo Worlds, o Campeonato Mundial do jogo eletrônico. A primeira partida dos atletas Rodrigo “Tay” Panisa, Diogo “Shini” Rogê, Bruno “Envy” Farias, Micael “micaO” Rodrigues e Ygor “Redbert” Freitas teve um pico de 928.000 espectadores simultâneos, recorde de audiência das primeiras partidas pelos últimos quatro anos. Mas, apesar da expectativa, a INTZ não conseguiu surpreender.

Jogando primeiro contra a espanhola MAD Lions, a INTZ abriu a Fase de Entrada do Mundial às 5 horas da manhã no horário de Brasília. Embora os intrépidos brasileiros tenham conseguido um bom início de jogo, os europeus conseguiram responder da metade para o final, conseguindo um número maior de abates e objetivos pelo mapa do jogo.

Já o segundo jogo, desta vez contra a australiana Legacy Esports, prometia um resultado melhor — afinal, a Oceania é, assim como o Brasil, uma das regiões menos desenvolvidas no LoL —. No entanto, a equipe vencedora da Oceanic Pro League já mostrou força no início e dominou o mapa de Summoner’s Rift pela grande parte dos 40 minutos da partida.

Para continuar na competição e ter chance de para a Fase de Grupos, a equipe brasileira precisa vencer pelo menos um dos próximos dois jogos e ir para a repescagem do grupo. Caso vença contra a turca Papara SuperMassive ou contra a holandesa Team Liquid — que está em segundo lugar no grupo A —, a INTZ tem uma nova chance de classificar para os principais jogos do Mundial.

O caminho para o Worlds 2020

Vencendo o “Brasileirão” por 3 a 1, a INTZ passa pelo Worlds pela segunda vez. A primeira participação da equipe no Mundial aconteceu em 2016, quando terminaram em 14º lugar. Para a EXAME, o CEO da organização, Lucas Almeida, comentou que a equipe está mais preparada neste ano: “Essa formação está junta há mais de dois anos e esperamos representar muito bem nosso país, atingindo resultados nunca conquistados antes. Todos os atletas e comissão técnica estão bastante confiantes e treinando muito para isso”, disse Almeida.

Parte da organização viajou para a China, onde acontece o torneio, 48 horas depois de vencerem o CBLoL. O campeonato é, hoje, o torneio mais importante de League of Legends no Brasil — com parceiros como Red Bull, Gillette e Mastercard, que também patrocina o Worlds.

Segundo Almeida, o novo modelo de franquias do campeonato, que entrará em vigor no próximo ano, vai aumentar o potencial do torneio para os olhos internacionais. “Historicamente pelo mundo, onde as demais regiões já são franquias, os clubes expandiram muito rápido seu tamanho, capacidade competitiva e potencial como empresa. Nossa ambição é grande e estar no CBLoL em 2021 faz parte dela. A incrível produção da final do CBLoL, que aconteceu há pouco, mostra que coisas boas aguardam o futuro do torneio”. As vagas para participar do CBLoL custarão 4 milhões de reais para cada organização.

A temporada nacional neste ano, porém, não foi tranquila como as outras. Para que o torneio existisse em meio à pandemia e um alagamento que inundou o estúdio no começo do ano, o torneio sofreu mudanças. Carlos Antunes, chefe de eSports da Riot Games Brasil, comentou que foi questão de dias entre a montagem do estúdio temporário e o início da pandemia para que a empresa precisasse revisitar a estratégia para 2020. “A flexibilidade e resiliência do time foram imprescindíveis. Levamos para a nuvem nossa estrutura e conseguimos seguir com o torneio apesar de todas as adversidades. O apoio da comunidade foi muito importante. Em relação às dificuldades, vale lembrar que a internet, de modo geral, é muito instável no Brasil e, com as pessoas trabalhando de suas respectivas casas, enfrentamos quedas e diferentes problemas de conexão em várias situações. Para garantir o show, tínhamos backups em todos os times envolvidos na transmissão”, disse Antunes.

    Para a final do campeonato, Antunes comentou que a empresa precisou pensar fora da caixa e desenvolver uma cerimônia que tivesse o mesmo peso de uma final com público físico. Com a música Somos Um Só, em parceria com Pedro Qualy e Vintage Culture, a abertura da final entre os times paiN e INTZ mostra os campeões do jogo se aventurando pelas ruas de São Paulo. Além disso, enquanto os times disputavam a final em uma cobertura de um prédio da zona sul da cidade, a Ponte Estaiada estava iluminada com as cores vermelho e azul, representando os dois lados do mapa de Summoner’s Rift, onde acontecem as batalhas virtuais.

    Ponte Estaiada na final do CBLoL Ponte Estaiada iluminada durante a final do CBLoL

    Ponte Estaiada iluminada durante a final do CBLoL (Riot Games Brasil/Reprodução)

    O “Brasileirão” de LoL não é o único a ter a música como parte essencial de seus eventos. O Mundial também conta com grandes espetáculos visuais que misturam realidade e ficção. A abertura do Worlds 2018 contou com a introdução do grupo virtual de k-pop, K/DA, formado pelas campeãs Ahri, Evelynn, Akali e Kai’Sa, com a música Pop/Stars — o vídeo de abertura tem mais de 41 milhões de visualizações no YouTube. No ano seguinte, a abertura do campeonato mundial ficou por conta da segunda banda virtual do jogo, dessa vez voltada para o hip-hop. Formado pelos campeões Qiyana, Akali, Ekko, Yasuo e Senna, o grupo True Damage segue a mesma linha de mistura de real/virtual de K/DA e mostra que a empresa dona do LoL está comprometida com a divulgação multimidiática do universo.

    Durante o Media Preview do campeonato, a empresa confirmou que o show de abertura deste ano contará com uma nova música do grupo K/DA com a participação de Seraphine, nova campeã que será inserida no jogo. Resta aguardar para ver se a INTZ conseguirá observar, de perto, a apresentação musical organizada pela Riot Games e pela Mastercard — que deve acontecer antes das últimas etapas do torneio.

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