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Remy Sharp
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A Chapada da Diamantina, no oeste da Bahia, é conhecida, entre outras coisas, por seu conjunto de serras, planaltos, trilhas e cachoeiras. Fabiano Borré, CEO e sócio-proprietário da Vinícola Uvva, na cidade de Mucugê, quer que a região seja reconhecida também pelos melhores vinhos de inverno.

Borré é da terceira geração de uma família gaúcha descendente de imigrantes noruegueses. Nos anos 80, o seu pai, avô e tio viajaram para a Chapada em busca de terra para produzir. Anos depois, se tonaram uns dos maiores produtores da Chapada, abastecendo o Nordeste com batatas e exportando o café para países como Japão e Nova Zelândia.

Há mais de dez anos, a família, dona da fazenda Progresso, com 26 mil hectares, decidiu apostar em um novo negócio. Fabiano contou que a ideia de abrir uma vinícola foi plantada após a visita de uma comitiva francesa na região, em 2010. O grande desafio seria plantar em uma área sem tradição de vitivinicultura.

O projeto foi idealizado como uma Parceira-Público-Privada (PPP) com o estado da Bahia, mas após idas e vindas do poder público, a família decidiu seguir com o empreendimento sozinha. “Já tínhamos montado tudo, não dava para voltar atrás. Então, o meu pai ligou para vendedor e comprou as mudas de videiras para começarmos o plantio dos vinhedos experimentais”, explicou.

Com o passar dos anos, os vinhedos ganharam ritmo e área de cultivo chegou a 52 hectares de uvas cabernet sauvignon, cabernet franc, syrah, merlot, chardonnay, malbec, sauvignon blanc, petit verdot e pinot noir. Segundo estudo da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), com base na Safra 2019/2020, o valor para implementação de um hectare de uvas é de R$ 100 mil.

Em 2018, em uma pequena vinícola, que hoje faz parte da propriedade de 5 mil metros quadrados e quatro andares, saiu o primeiro vinho, um cabernet sauvignon, que reforçou a confiança que o projeto daria certo. Foram 800 garrafas, que não foram lançadas comercialmente na época, mas, segundo o CEO da vinícola, serão colocadas no mercado em um microlote especial em breve.

No ano seguinte, a primeira safra de potencial comercial teve 55 mil garrafas. Os rótulos foram colocados no mercado em 2022, quando a vinícola foi inaugurada. Com tours e degustações, a UVVA, cercada pela paisagem da Serra do Sincorá, já recebeu mais de 6 mil pessoas em mais de um ano de funcionamento. Os passeios variam de R$ 200 até a R$ 900 por pessoa. A vinícola recebe grupos de até oito pessoas em turnos diferentes com acompanhamento de um dos enólogos da casa. ”A ideia não é apenas mostrar como tudo é lindo, mas também agregar conhecimento e estabelecer um laço”, afirma o CEO.

Borré revelou que o principal público da vinícola vem de Salvador, a 450 km de Mucugê. Hoje, a Uvva tem capacidade para produzir 260 mil garrafas no ano. O investimento total na construção da sede e nos equipamentos de produção industrial de vinho foi de mais de R$ 50 milhões. O produtor disse que boa parte do valor foi financiado pelo Banco do Nordeste.

Além da experiência para os amantes de vinhos, a vinícola também uma oferecer uma exposição do artista visual baiano, Marcos Zacarides. A exposição chama-se “O Tempo Espelhado” e reúne esculturas, instalações, assemblagens e vídeos assinadas por Zacarides.

Vinícola UVVA

Vinícola UVVA

Premiações

Considerado por Borré como uma coroação do planejamento e trabalho de mais de dez anos, a vinícola Uvva teve oito rótulos avaliados acima de 90 pontos – o que aponta um vinho excelente – na Descorchados 2023, um guia de vinhos que traz avaliações de rótulos de países da América do Sul.

Os tintos Diamã 2019, Petit Verdot 2019 e Cabernet Sauvignon 2020 figuram na lista dos Top 10 do continente, e o Cabernet Sauvignon 2019, foi eleito o Tinto Revelação.

A vínicola também foi reconhecida internacionalmente e ganhou medalha de prata no Vinalies 2023 com o seu Cabert Sauvignon 2019.

Enoturismo

Para também oferecer uma infraestrutura para o turista, durante o processo de construção da vinícola, Borré e a esposa, Cristina Cagliari, compraram uma pousada em Mucugê, e criaram o Refúgio na Serra. A vinícola e a pousada contam com restaurante Paraguassu comandado pelo chefe André Chequer.

A cidade de 12 mil habitantes é tombada como Patrimônio Nacional pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), devido à arquitetura da era dos diamantes e da natureza da região. Com um ecoturismo forte, Borré acredita que a chegada de novas vinícolas na região podem desenvolver o enoturismo na região e também fortalecer a Uvva.

“Eu acho que tem empresas estruturadas no vinho brasileiro que já poderiam vir para cá. Talvez eles estejam esperando a consolidação da região. Eu desejo uma contribuição regional e a chegada de novos players para tornar a Chapada referência. É muito difícil carregar o piano sozinho”, disse Borré. Na Chapada Diamantina há outras duas pequenas vinícolas, a Vaz e a Reconvexo, ambas localizadas no Morro do Chapéu, a 230 km de Mucugê.

Segundo a consultoria americana Future Market Insights Global and Consulting, o enoturismo deve movimentar neste ano US$ 85,1 bilhões (R$ bilhões na cotação atual), com estimativa de atingir US$ 292,5 bilhões (R$ trilhão) em 2033.

Mudança do mapa dos vinhos finos no Brasil?

A 1200 metros do nível do mar, a vinícola Uvva tem um solo é arenoso, argiloso e fácil de trabalhar. Com um verão chuvoso e um inverno seco, a região da Chapada tem uma alta amplitude térmica – a diferença de temperatura entre o dia e a noite, o que possibilitou a implementação da dupla poda – ou poda invertida –, na UVVA.

A técnica, difundida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) há mais de 20 anos, consiste na inversão do ciclo da videira pela realização de duas podas anuais, o que possibilita que a maturação e a colheita das uvas aconteçam no inverno, período com menor incidência de chuvas e elevada amplitude térmica. Na Uvva, a primeira poda – considerada de renovação da videira – acontece após a colheita, em setembro. A segunda, ocorre em janeiro, em vista da produção e colheita que ocorre em junho e julho.

A tecnologia possibilitou que novas regiões, como o sul de Minas, o interior de São Paulo e a Chapada, entrassem no mapa dos vinhos no Brasil. A Associação Nacional dos Vinhos de Inverno (ANPROVIN), presidida por Murilo de Albuquerque Regina, ex-pesquisador da Epimaig e um dos defensores da dupla poda, tem mais de 40 vinícolas ou futuras vinícolas associadas. Apesar da troca de experiência tímida, principalmente pela distância entre os produtores, a entidade serve para defender as revindicações do setor produtor de vinho de inverno.

O desejo de buscar outras áreas para vinícola se explica por dados animadores para o setor. Segundo dados da União Brasileira de Vitivinicultura, em 2021, o mercado brasileiro comercializou 217 milhões de litros de vinhos finos, contra 198 milhões de litros em 2020. O aumento também é visto quando se observa os dados de 2019, quando foram 158 milhões de litros no ano.

Apesar do consumo médio per capita do brasileiro ser de 2 litros vinho por ano, de acordo com a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), dado baixo em comparação com países como França, Itália e Portugal, estudos apontam a mudança de comportamento do consumidor, principalmente com o e-commerce. Em 2022, é estimado que o volume de vendas de vinhos pela internet tenha ultrapassado a casa dos R$ 210 bilhões, segundo a 46ª edição do webshoppers da Nielsen.

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