Jonas Marques - CEO da Pague Menos Foto: Leandro Fonseca Data: 13/03/2025 (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 25 de abril de 2026 às 11h26.
A possível mudança na escala de trabalho 6x1 para modelos como 5x2 ou jornadas reduzidas já está no radar de empresas brasileiras, mas, para Jonas Marques, CEO da Pague Menos, o tema está longe de ser simples.
“Ela não é uma mudança banal e exige preparação das empresas”, afirma o executivo em entrevista ao podcast De frente com CEO, da EXAME.
Segundo ele, a discussão precisa considerar a natureza de setores como o varejo farmacêutico, que opera com alta demanda contínua e, muitas vezes, 24 horas por dia.
“A gente é um serviço de utilidade pública. A maioria das nossas lojas está aberta por 24 horas. Tem uma pessoa doente, um familiar que precisa de um remédio”, diz o CEO.
Para Marques, há um ganho evidente na redução da jornada: mais tempo livre e potencial melhora na qualidade de vida dos trabalhadores.
“É bom porque melhora a qualidade de vida das pessoas, que passam a ter uma folga a mais”, afirma.
Mas ele levanta um ponto menos discutido: o que as pessoas fazem com esse tempo adicional e como isso impacta produtividade e engajamento.
“Muitas delas vão pegar esse dia a mais e arrumar outro trabalho”, diz.
A fala toca em uma tensão central do mercado brasileiro: renda ainda pressionada e necessidade de múltiplas fontes de ganho, mesmo com jornadas menores.
Veja também: Escala 6x1, 12x36, 4x3: quais são os 10 regimes de trabalho mais comuns no Brasil
Com experiência internacional, tendo trabalhado na Europa e na Oceania, o CEO cita exemplos de países que já testaram modelos mais curtos, nem sempre com sucesso.
“Na Nova Zelândia foi implementado o modelo de 4 dias de trabalho. Depois de um tempo, desistiram de torná-lo obrigatório”, afirma.
Segundo ele, a redução da jornada trouxe efeitos colaterais na dinâmica de trabalho:
“No fundo, a semana ficou mais curta, e o nível de dedicação de muitos também”, diz.
A partir dessa experiência, ele levanta uma dúvida. “Será que a gente está preparado para isso?”.
Apesar das ressalvas, Marques deixa claro que a empresa não se posiciona contra mudanças na jornada.
“Se for aprovado, a gente vai se adaptar”, afirma. “A gente, inclusive, já faz simulações há mais de seis meses”, diz.
Para ele, o ponto central não é apenas a mudança na lei, mas a preparação das pessoas para lidar com esse novo modelo.
“A gente precisa preparar o colaborador para o que isso significa”, afirma.
A fala do CEO reforça uma leitura cada vez mais presente no debate corporativo: a discussão sobre jornada não é só sobre horas, mas sobre produtividade, cultura e maturidade do mercado de trabalho.
Veja a entrevista completa de Jonas Marques, presidente da Pague Menos, no podcast "De frente com CEO", da EXAME: