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Com o avanço da IA, este é o principal motivo para ensinar inteligência emocional nas escolas

Especialistas alertam que habilidades humanas serão o principal diferencial em um mercado cada vez mais automatizado

 (skynesher/Getty Images)

(skynesher/Getty Images)

Publicado em 6 de julho de 2026 às 16h00.

A inteligência artificial já escreve textos, analisa dados, cria apresentações e automatiza tarefas que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente de pessoas. Enquanto a tecnologia avança em ritmo acelerado, uma habilidade ganha cada vez mais valor entre empresas, universidades e especialistas em educação: a inteligência emocional.

O debate deixou de ser apenas acadêmico e passou a fazer parte das estratégias das organizações que lideram o desenvolvimento da IA. 

Daniela Amodei, presidente e cofundadora da Anthropic — empresa responsável pelo Claude, um dos principais modelos de inteligência artificial do mundo — afirma que, justamente porque as máquinas estão se tornando mais capazes, as competências que nos tornam humanos passarão a ser o maior diferencial competitivo.

Segundo a executiva, empresas buscarão profissionais com excelente capacidade de comunicação, empatia, curiosidade e habilidades para trabalhar em equipe. As informações foram retiradas de Tes Magazine.

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A inteligência emocional deixou de ser um diferencial e passou a ser uma competência estratégica

Durante muitos anos, o debate sobre formação profissional esteve concentrado no domínio técnico. Hoje, esse cenário começa a mudar.

Com ferramentas de IA assumindo tarefas operacionais e cognitivas, cresce a demanda por profissionais capazes de liderar equipes, administrar conflitos, negociar, compreender diferentes perspectivas e construir relações de confiança.

Para Jean Gross, consultora independente em educação e ex-conselheira do governo britânico, o sistema educacional precisa acompanhar essa transformação.

Segundo ela, currículos escolares ainda dão pouca atenção ao desenvolvimento estruturado de competências socioemocionais, apesar de evidências mostrarem que essas habilidades podem ser ensinadas e desenvolvidas ao longo da vida.

"Em um mundo onde a IA é extremamente inteligente e capaz de fazer tantas coisas, aquilo que nos torna humanos será muito mais importante", afirmou.

O mercado já procura profissionais com habilidades que a IA não consegue reproduzir

A discussão vai além das salas de aula. Empresas de tecnologia, consultorias e organizações de diferentes setores têm ampliado a busca por profissionais capazes de lidar com pessoas — uma característica que dificilmente será automatizada.

Entre as competências mais valorizadas estão:

  • Comunicação clara
  • Escuta ativa
  • Empatia
  • Colaboração
  • Resolução de conflitos
  • Adaptabilidade
  • Pensamento crítico
  • Capacidade de dar e receber feedback

O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que inteligência emocional, resiliência, flexibilidade e liderança estão entre as competências com maior crescimento esperado até 2030, impulsionadas justamente pela transformação digital e pelo avanço da inteligência artificial.

Essas habilidades podem — e devem — ser ensinadas

Ao contrário do que durante muito tempo se acreditou, inteligência emocional não é uma característica inata.

Jean Gross destaca que competências sociais e emocionais podem ser desenvolvidas por meio de programas estruturados, prática deliberada e experiências que incentivem o autoconhecimento e as relações interpessoais.

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Ela participou da criação do SEAL (Social and Emotional Aspects of Learning), programa implementado no Reino Unido para desenvolver competências socioemocionais desde a educação infantil até o ensino fundamental.

Segundo a Education Endowment Foundation (EEF), iniciativas desse tipo apresentam impactos positivos não apenas no bem-estar dos estudantes, mas também no desempenho acadêmico, no comportamento e na preparação para o mercado de trabalho.

Entre as competências trabalhadas estão:

  • Reconhecer e administrar emoções
  • Compreender diferentes perspectivas
  • Desenvolver empatia
  • Construir relações saudáveis
  • Resolver conflitos
  • Lidar com mudanças
  • Recuperar-se de fracassos
  • Estabelecer objetivos de longo prazo

Na era da IA, conhecimento técnico sozinho já não basta

A transformação provocada pela inteligência artificial lembra outras grandes revoluções econômicas da história.

Se durante a Revolução Industrial a vantagem competitiva estava na capacidade de operar máquinas, agora ela passa pela habilidade de fazer aquilo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir integralmente: compreender pessoas.

Essa mudança também altera a forma como jovens devem pensar o desenvolvimento da própria carreira.

Dominar ferramentas digitais continuará sendo importante. Mas profissionais capazes de liderar, influenciar, colaborar e construir relações terão vantagens em um mercado onde boa parte das tarefas técnicas poderá ser automatizada.

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