(Getty Images)
Redatora
Publicado em 6 de julho de 2026 às 16h17.
Um recrutador leva, em média, apenas alguns segundos para decidir se um currículo continuará no processo seletivo ou será descartado. Nesse intervalo, um erro bastante comum tem eliminado candidatos de todos os níveis de experiência — de recém-formados a executivos.
Segundo Farah Sharghi, ex-recrutadora de empresas como Google, Uber, TikTok e The New York Times, o principal problema não está na formação, no tempo de carreira ou na ausência de resultados relevantes. O verdadeiro obstáculo é que a maioria das pessoas escreve o currículo como se quem estivesse lendo já conhecesse sua trajetória profissional.
A constatação ganha ainda mais importância em um mercado em que a disputa por vagas nas maiores empresas do país e do mundo é cada vez mais acirrada. Dados do LinkedIn mostram que milhares de candidatos podem disputar uma única oportunidade em grandes organizações, tornando a comunicação clara um diferencial competitivo. As informações foram retiradas de CNBC Make It.
Quem participou de um projeto sabe exatamente qual era seu objetivo, quais desafios enfrentou e por que determinado resultado foi importante. O recrutador, por outro lado, não possui esse contexto.
Para Sharghi, esse descompasso faz com que muitos currículos pareçam genéricos, mesmo quando apresentam experiências relevantes.
Uma das recomendações da ex-recrutadora é esconder o nome que aparece no topo do currículo e fazer uma leitura imparcial do documento. Se, ao final da leitura, o texto poderia pertencer a qualquer outro candidato, existe um problema.
Isso acontece porque muitos profissionais descrevem responsabilidades, mas deixam de demonstrar o valor gerado para a empresa.
Em vez de evidenciar resultados, o currículo passa a funcionar apenas como uma lista de atividades.
Especialistas em recrutamento costumam afirmar que currículo não é uma autobiografia, mas um documento estratégico.
O objetivo não é contar toda a trajetória profissional, e sim facilitar a compreensão do impacto gerado em cada experiência.
Essa lógica também aparece em estudos sobre recrutamento conduzidos pelo LinkedIn e pela Society for Human Resource Management (SHRM), que destacam a importância de resultados mensuráveis, linguagem clara e adaptação do currículo para cada oportunidade.
Em um mercado em que recrutadores analisam centenas de candidaturas para uma única vaga, pequenas mudanças na forma de apresentar experiências podem determinar se o candidato será chamado para uma entrevista ou ficará pelo caminho.
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