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Um canto pela paz: músicos russos e ucranianos tocam juntos em SC

Festival Internacional de Música em Santa Catarina reúne músicos russos e ucranianos no Concerto das Nações

Femusc reúne músicos de todo o mundo em sua 23ª edição (Bússola/Divulgação)

Femusc reúne músicos de todo o mundo em sua 23ª edição (Bússola/Divulgação)

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Alex Klein*

Publicado em 16 de janeiro de 2023, 17h30.

O Femusc (Festival Internacional de Música de Santa Catarina) sempre foi um evento multicultural, e a presença de inúmeras nacionalidades é um dos marcos de sua existência.

Somente para o evento de 2023, quando completamos 18 edições, foram recebidas inscrições de 33 países, 27 dos quais estão representados em Jaraguá do Sul. Essa miscigenação cultural serve como motor para uma série de atividades e conquistas do Femusc, fomentando maior entendimento cultural entre alunos e professores, e provendo uma fonte de apoio para jovens músicos de várias parte do mundo à medida que buscam estudos avançados no hemisfério norte e lançam suas carreiras internacionais.

É digno de nota que cerca de 100 ex-alunos do Femusc já foram agraciados com bolsas de estudo para o exterior. O violinista peruano Eduardo Rios veio ao Femusc aos 17 anos e foi imediatamente encaminhado à Colburn School em Los Angeles, de onde venceu a Sphinx Competition. Hoje é spalla na Orquestra Sinfônica de Seattle. O violinista argentino Jeremías Velazquez foi levado do Femusc para o New England Conservatory em Boston e hoje ocupa cargo de liderança na orquestra do Metropolitan Opera em Nova York. A mezzo-soprano peruana Madeleine Gutierrez não pode retornar ao FEMUSC este ano porque está se apresentando como solista no Carnegie Hall em Nova York.

Para celebrar esta diversidade, o Femusc todos os anos apresenta o “Concerto das Nações” onde grupos de alunos representando diversos países se organizam e por sua própria conta escolhem repertório, danças, figurinos, cores, fotos e vídeos que representem seus países.

Para 2023, estão confirmadas para o Femusc apresentações dos seguintes países: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Perú, Ucrânia, Rússia e Venezuela.

O mundo já vinha em guerra antes de 2022, com conflitos no Yemen, Palestina, Síria e outros países. A guerra na Ucrânia, porém, abriu a possibilidade de um conflito maior, mundial, e nuclear. É neste cenário que alunas do FEMUSC 2023 como a violinista Margaryta Opsychuk (Ucrânia) a soprano Anastasia Pogorelova, a pianista Kristina Meliukhina e a oboísta Aglaia Golubeva (Rússia) sobem ao palco juntas, em uma manifestação em prol da união dos jovens em todo o mundo contra guerras e divisões entre as nações. Elas apresentarão uma canção baseada no poema “Olhos negros” de Evgeny Pavlovich Grebinka, cuja música foi composta por um compositor polonês. O texto é russo e escrito por um poeta ucraniano.

A apresentação das alunas da Ucrânia e da Rússia é uma mensagem de amor e perseverança que se aplica a outros conflitos e atos de violência, e não deixa de ser um exemplo para nós mesmos brasileiros, ante as atuais notícias de nossas diferenças também serem motivo para atos violentos na capital federal.

A apresentação russo-ucraniana no Concerto das Nações terá apoio e presença de estudantes de todas as nacionalidades, convidando também o público presente a se manifestar. Na sequência desta apresentação, o professor Marcelo Ghelfi, coordenador do Programa de Música Popular Brasileira do Femusc, irá liderar os 50 alunos deste programa e, junto com todas as nações presentes, apresentarão a obra “We Are The World”, em ritmo brasileiro.

A esperança do Femusc é que o Concerto das Nações seja sempre um exemplo de como nós todos somos diferentes. E justamente por sermos diferentes é que somos iguais, no sentido de que apesar de nossas culturas e países demonstrarem individualidade, a base humana é única. A conclusão deste concerto como aqui demonstrada é evidência de que a união entre os povos é somente uma questão de “querer”. *Alex Klein é maestro, músico oboísta, único brasileiro a conquistar um Grammy na música erudita e idealizador do Femusc

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