A gestão de riscos ocupacionais psicossociais torna-se obrigatória com a nova NR-1 em 2026 (PreciousJ/Shutterstock)
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Publicado em 7 de maio de 2026 às 10h00.
Por Guilherme Malaquias*
Nova regulamentação amplia o olhar sobre fatores psicossociais e reforça a necessidade de uma abordagem mais estruturada nas organizações.
Cerca de 13% dos afastamentos no Brasil já têm relação com saúde mental no trabalho. Em resumo, 1 a cada 7 trabalhadores.
Foram mais de 546 mil trabalhadores afastados em 2025 por transtornos mentais e comportamentais — um novo recorde no país. Esses dados são do INSS.
Na prática da saúde ocupacional, esse número já deixou de ser apenas uma estatística. Ele se traduz em aumento de afastamentos, sobrecarga dos sistemas de saúde e impactos diretos na capacidade produtiva das organizações.
E é nesse contexto que a atualização da NR-1 ganha relevância.
A norma não cria o problema, ela torna visível um risco que já está presente e, em muitos casos, subdiagnosticado dentro das empresas.
Durante anos, a saúde mental foi tratada como uma agenda importante de bem-estar. Esse avanço foi fundamental. Mas o cenário evoluiu.
Agora, o tema passa a integrar formalmente a gestão de riscos ocupacionais.
Ou seja: fatores psicossociais deixam de ser periféricos e passam a ser reconhecidos como elementos que podem gerar adoecimento, afastamentos e impacto direto no negócio. E isso exige uma mudança de abordagem.
Alguns padrões que ainda observamos no mercado:
Esses pontos não anulam os avanços já realizados, mas mostram que ainda existe um espaço importante de evolução.
A NR-1 amplia o olhar ao trazer para o centro da discussão fatores como carga de trabalho, modelo de gestão, metas e ambiente organizacional.
Ou seja: elementos que, quando não gerenciados, aumentam diretamente o risco de adoecimento. O prazo até maio de 2026 trouxe uma janela importante de adaptação.
Ainda assim, é natural que muitas empresas estejam em estágios diferentes dessa jornada. E isso faz parte do processo. O que muda agora é o nível de consciência e, consequentemente, de responsabilidade.
A saúde mental já é uma das principais causas de afastamento no país, com impactos relevantes não apenas para os colaboradores, mas também para a sustentabilidade dos negócios.
Mais do que uma exigência regulatória, esse é um movimento de evolução na forma como as empresas gerenciam riscos e cuidam de seus ambientes de trabalho.
Porque, no fim, não se trata apenas de cumprir uma norma. Se trata de reconhecer, prevenir e gerenciar um risco que já está presente. E que precisa ser tratado com o mesmo nível de seriedade que qualquer outro dentro das organizações.
*Guilherme Malaquias é responsável técnico e diretor executivo MDS Med.