Pesquisa revela aumento da conscientização sobre violência contra mulheres e novos desafios com imagens falsas geradas por IA (Andrii Iemelianenko/Shutterstock)
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Publicado em 27 de setembro de 2026 às 07h00.
O Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres de 2026, desenvolvido pela organização Instituto Natura e pela empresa Avon, aponta que um em cada cinco brasileiros já viu imagens íntimas falsas produzidas por inteligência artificial. Segundo o levantamento, 37% da população tem conscientização alta ou muito alta, ante 28% dos homens e 44% das mulheres.
A nova edição do Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres aponta que um em cada cinco brasileiros já se deparou com imagens íntimas falsas produzidas por inteligência artificial, o que reforça a necessidade de ampliar as medidas de proteção às mulheres no ambiente digital.
A ferramenta desenvolvida pelo Instituto Natura e pela Avon, apoiada também pelo Movimento Pela Vida das Mulheres, acompanha anualmente a evolução da sociedade brasileira e de outros países latino-americanos em relação à percepção, ao conhecimento e à reação diante da violência digital contra as mulheres. As entrevistas são realizadas pela Quiddity.
Esta é a primeira vez que o Índice mensura a percepção e a experiência da população brasileira sobre a violência digital contra as mulheres, tema que ganhou relevância com a popularização das ferramentas de inteligência artificial e a expansão de comunidades online que disseminam discursos de ódio contra as mulheres, como as chamadas comunidades “red pill”.
Os dados, coletados somente com pessoas acima de 18 anos, apontam que o contato com imagens íntimas falsas é mais frequente entre homens e jovens de até 25 anos.
“Já sabíamos que esse tipo de violência existia, mas somente com dados concretos conseguimos mensurar a dimensão do problema e traçar estratégias para enfrentá-lo”, afirma Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil.
O Índice aponta ainda que, em 2026, 37% da população brasileira foi classificada nos níveis “alto” ou “muito alto” de conscientização em relação à violência contra mulheres, proporção oito pontos percentuais superior à registrada em 2025.
Entre os homens, 28% foram classificados nesses dois níveis; entre as mulheres, a proporção foi de 44%. Em ambos os grupos, a proporção classificada nos níveis “alto” e “muito alto” aumentou em relação ao ano anterior.
"Mais do que um resultado, o Índice é uma ferramenta que permite orientar esforços e iniciativas de transformação coletiva ao mesmo tempo em que acompanha a evolução na conscientização que buscamos”, explica Maria Slemenson. “Ele que nos guia, por exemplo, na construção das nossas campanhas de conscientização. Este ano, o tema ‘Somos Maiores que a Violência’ foi escolhido justamente para convocar os homens para essa conversa.”
Metade das entrevistadas pelo Índice afirmou já ter sentido medo pela própria vida durante uma discussão ou confronto. Além disso, o levantamento identificou prevalência de violências cotidianas, muitas vezes não reconhecidas imediatamente como violência.
Seis em cada dez relataram já ter passado por situações em que suas opiniões, ideias ou sugestões não foram levadas em consideração, comportamento associado à violência psicológica.
Entre as mulheres para as quais essa situação se aplica, 32% relataram já ter deixado de receber pensão alimentícia do ex-parceiro, situação que pode configurar violência patrimonial contra a mulher.
Apesar de 81% de todos os entrevistados acreditarem que existem formas de violência contra mulheres que vão além da física e da sexual, cada pessoa mencionou, em média, apenas 1,71 tipos de violência contra a mulher.
O índice analisa três eixos estruturantes para medir o nível de conscientização da população sobre a violência contra mulheres:
O Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres é atualizado anualmente por meio de pesquisas realizadas pela Quiddity no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México, países em que o Instituto Natura atua.
Seu objetivo é medir e monitorar o nível de percepção, conhecimento e reação da sociedade diante da violência contra mulheres, servindo como guia para ações de enfrentamento.
Em 2026, no Brasil, foram realizadas 2.500 entrevistas na amostra nacional, além de um booster de 345 entrevistas em Alagoas, totalizando 2.845 casos.
As entrevistas foram autoadministradas online, via captação em redes sociais. Para a amostra nacional, o estudo informa nível de confiança de 95% e margem de erro de ±1,96 p.p.
A relevância do Índice foi reconhecida pelo ESOMAR Awards 2026, uma das principais premiações sobre impacto social no mundo.
A ferramenta venceu o primeiro lugar na subcategoria “Regional (América Latina)” de “Best Social Impact Research” e o terceiro lugar na categoria “Global”.
Um em cada cinco brasileiros já se deparou com imagens íntimas falsas produzidas por inteligência artificial, segundo o Índice. O contato foi mais frequente entre homens e jovens de até 25 anos.
Em 2026, 37% da população brasileira foi classificada nos níveis alto ou muito alto de conscientização, segundo o Índice, oito pontos percentuais acima de 2025. A proporção foi de 28% entre os homens e de 44% entre as mulheres.
Metade das entrevistadas afirmou já ter sentido medo pela própria vida durante uma discussão ou confronto, enquanto seis em cada dez disseram que suas opiniões, ideias ou sugestões já foram desconsideradas. Entre as mulheres às quais a situação se aplica, 32% relataram ter deixado de receber pensão alimentícia do ex-parceiro.
Entre as mulheres que vivenciaram uma situação de violência, 17% apresentaram queixa a um órgão público e 14% procuraram um serviço público especializado de atendimento à mulher, segundo o Índice. Ao todo, 56% afirmaram que chamariam a polícia caso fossem vítimas.
Segundo o levantamento, 77% dos entrevistados apontaram inibidores emocionais, como medo de retaliação ou de agravamento da situação. Outros 48% citaram barreiras institucionais e 30% indicaram falta de conhecimento.
A Quiddity realizou 2.500 entrevistas na amostra nacional e outras 345 em Alagoas, totalizando 2.845 casos. As entrevistas foram autoadministradas online, com captação em redes sociais, e a amostra nacional tem nível de confiança de 95% e margem de erro de ±1,96 ponto percentual.