Pior mês da pandemia termina com boa notícia: segunda onda em declínio

Mas enquanto a vacina não vem para todos, é preciso continuar com os cuidados, única boia de salvação, enquanto não sabe se uma terceira onde vai se formar

Na semana em que o Brasil se aproxima das 400 mil mortes por covid-19 – triste marca que deve ser atingida até a próxima sexta-feira, mais tardar no sábado –, uma boa notícia se consolida no horizonte. Pela primeira vez em 30 dias, ontem, domingo, a média móvel de mortes ficou abaixo do patamar de 2.500 óbitos diários. Se o número ainda assusta, afinal estamos com 2.495 mortes por dia, conforme o gráfico abaixo, a média atual representa uma forte desaceleração de 20% em menos de duas semanas.

 (Conass/Divulgação)

A velocidade de contágio também parece perder força, o que projeta um futuro melhor nas próximas semanas. No domingo, a média móvel de novos casos registrados ficou em 56.817, o menor patamar desde 3 de março, ou a menor média em um período de 53 dias. Além disso, o número de casos cai há duas semanas. Quando o número de novas infecções recua por vários dias consecutivos, é sinal de que o número de óbitos tende a continuar diminuindo por mais duas ou três semanas.

 (Conass/Divulgação)

Outro sinal positivo é a velocidade da queda. No ano passado, durante a primeira onda de covid-19, o comportamento das estatísticas foi bem diferente. O Brasil ultrapassou pela primeira vez a média de 900 mortes diárias em 23 de maio de 2020. A média oscilou entre 900 e 1.100 até 27 de agosto, cerca de três meses, quando a primeira onda enfim começou a perder força.

Nesse platô de 97 dias, foram registradas 96.636 mortes (uma média de 996 óbitos ao dia). Já a segunda onda, iniciada ainda em dezembro, foi marcada por dois períodos distintos. Entre 10 de janeiro de 22 de fevereiro, a média diária girava como na primeira onda, pouco acima das 1.000 mortes por dia. Nesse período de 43 dias, foram 44.033 vítimas.

Mas a partir daí o comportamento da pandemia mudou para pior, e o número de mortes começou a crescer de maneira exponencial, fruto do surgimento de novas variantes do vírus e da superlotação nas UTIs. Entre 22 de fevereiro e 12 de abril, um período de 49 dias, foram 107.474 mortes por covid-19 (2.193 ao dia), proporcionalmente mais do que o dobro da média registrada no pior momento da pandemia no ano passado.

A diferença agora é que, após atingir o pico de mortes, o platô foi bem mais curto. A média móvel ficou ao redor de 3.000 por dia por “apenas” 12 dias, até atingir recordes 3.124 óbitos diários em 12 de abril. Desde então, entrou em forte declínio, chegando a 2.495 mortes diária neste domingo. O número ainda é muito elevado, mas a tendência é de queda acentuada nos próximos dias.

Hoje, utilizando-se a métrica de comparar a média móvel atual com a de duas semanas atrás, apenas dois estados (Pará e Acre) estão em aceleração. A pandemia está estável em 9 estados (Roraima, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro) e em queda nas demais 14 unidades da Federação. Um quadro bem diferente do vivido há uma semana, quando a pandemia avançava em seis estados, estava estável em 15 e só recuava em cinco.

Para se comemorar com cautela

Se a análise dos números projeta melhora da pandemia nas próximas semanas, o momento atual ainda é de muito cautela. Mesmo em declínio, a atual média móvel de mortes é 2,5 vezes maior do que o pior momento da primeira onda da doença, ocorrida no país em 2020. O número diário de novos casos também é 20% superior ao registrado no pico da primeira onda.

Faltando ainda cinco dias para acabar, abril já entrou para a triste história como o mês em que mais brasileiros morreram em decorrência do coronavírus. Em 25 dias, o mês acumula 69.282 óbitos, 6,3 mil a mais do que março. A tendência é que abril passe da casa de 80 mil mortes em um único mês. Para se ter uma ideia, no início da pandemia o Brasil levou quatro meses para chegar à marca de 80 mil óbitos.

Tudo isso nos indica que, apesar da melhora recente, ainda é preciso ter muito cuidado. Apenas seis em cada cem brasileiros já tomaram as duas doses de alguma vacina. Outros 13,7% já receberam a primeira dose, o que não garante qualquer imunidade. Ou seja, a esmagadora maioria da população continua suscetível ao vírus, e por isso essa melhora nos indicadores não deve ser confundida com um liberou geral.

É preciso continuar com os cuidados, como uso de máscara e álcool gel, além, é claro, do distanciamento social. Enquanto a vacina não vem para todos, essa é a boia de salvação. Porque a segunda onda está perdendo força, mas pode ser que, como já acontece na Europa, lá em alto mar se forme uma terceira..

*Marcelo Tokarski é sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa e da FSB Inteligência

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