Matriz energética diversificada posiciona o Brasil como referência global no setor (alex rodrigo brondani/Shutterstock)
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Publicado em 9 de junho de 2026 às 11h00.
Última atualização em 9 de junho de 2026 às 11h40.
Por Ives Castelo Branco*
Assumir recentemente a presidência do IBEF Rio me trouxe a oportunidade de refletir sobre os temas que terão maior impacto no desenvolvimento econômico do Brasil nos próximos anos.
Entre eles, poucos são tão estratégicos quanto óleo, gás e energia.
Ao longo da minha trajetória no setor financeiro e empresarial, acompanhei diferentes ciclos da economia brasileira.
Em todos eles, a energia esteve no centro das discussões sobre crescimento, competitividade, geração de empregos e atração de investimentos.
Não por acaso, o Brasil se consolidou como uma das principais referências globais quando o assunto é potencial energético.
Vivemos, entretanto, um momento de transformação.
A demanda mundial por energia continua crescendo ao mesmo tempo em que governos, empresas e investidores buscam soluções capazes de equilibrar desenvolvimento econômico, segurança energética e sustentabilidade.
Essa combinação de fatores tem impulsionado uma profunda reconfiguração do setor em escala global.
O Brasil possui vantagens competitivas importantes nesse cenário.
Além de ser um dos maiores produtores de petróleo mundial, o país conta com uma matriz energética diversificada, potencial de expansão do gás natural e oportunidades crescentes em fontes renováveis.
São características que colocam o país em posição privilegiada para atrair investimentos e ampliar sua relevância internacional.
Mas potencial, por si só, não garante resultados.
É necessário construir um ambiente favorável aos negócios, com segurança jurídica, estabilidade regulatória, infraestrutura adequada e políticas que incentivem o desenvolvimento de longo prazo.
A competitividade do setor depende diretamente da capacidade de criar condições para que empresas investam, inovem e gerem valor para a sociedade.
Outro ponto que merece atenção é a infraestrutura energética.
O avanço da digitalização da economia, a expansão dos data centers, o crescimento da indústria e a própria transição energética exigirão cada vez mais capacidade de geração, distribuição e integração de diferentes fontes de energia.
Planejar esse futuro é uma tarefa que precisa começar agora.
Também estamos diante de mudanças relevantes no ambiente tributário brasileiro.
A reforma tributária traz desafios e oportunidades para diversos segmentos econômicos, incluindo o setor de energia.
Compreender seus impactos e buscar caminhos que preservem a competitividade das empresas será fundamental para garantir um ambiente de negócios saudável e capaz de sustentar novos investimentos.
É justamente por reconhecer a importância desses temas que o IBEF Rio promove a 20ª edição do Fórum de Óleo, Gás e Energia.
Ao longo de duas décadas, o evento consolidou-se como um espaço de encontro entre executivos, especialistas, investidores e lideranças empresariais que compartilham o objetivo de construir soluções para o desenvolvimento do país.
Mais do que discutir tendências, o fórum busca estimular reflexões sobre os caminhos que o Brasil deve seguir para fortalecer sua posição no cenário energético global.
Questões como investimentos, novas tecnologias, infraestrutura, governança e tributação estarão no centro dos debates porque são temas que influenciam diretamente o futuro da economia brasileira.
Tenho convicção de que o diálogo entre os diversos atores do setor é um dos principais instrumentos para transformar desafios em oportunidades.
O Brasil reúne talento, conhecimento técnico e recursos para desempenhar um papel de protagonismo no cenário energético internacional.
Cabe a nós criar as condições necessárias para que esse potencial se traduza em crescimento, inovação e desenvolvimento sustentável.
No IBEF Rio, seguiremos comprometidos com a missão de promover discussões qualificadas, aproximar lideranças e contribuir para a construção de uma agenda positiva para o país.
Afinal, quando falamos de energia, estamos falando também sobre o futuro do Brasil.
*Ives Castelo Branco é presidente do IBEF Rio.