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MindFlow: por que a produtividade real só acontece quando você está no lugar certo?

Entenda por que focar em suas forças naturais gera resultados excepcionais e como a psicologia positiva explica a produtividade real

O flow acontece quando você está aplicando suas melhores habilidades em desafios que exigem exatamente esse nível de competência (Catherine Falls Commercial/Getty Images)

O flow acontece quando você está aplicando suas melhores habilidades em desafios que exigem exatamente esse nível de competência (Catherine Falls Commercial/Getty Images)

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Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 15h00.

Por Cecilia Ivanisk, fundadora da Learn to Fly.

Quantas horas você já perdeu tentando ser bom em coisas que nunca vão ser o seu diferencial? Todo ano é a mesma coisa. 

Chega o feedback da empresa com uma lista de melhorias, e lá vai você investir energia em ser menos ruim no que não te interessa. Comunicação mais assertiva, organização impecável, aquela habilidade técnica que todo mundo tem menos você.

E enquanto isso, o que você faz de olhos fechados, aquilo que te destaca de verdade, fica ali jogado num canto esperando sobrar tempo pra ser lapidado e usado estrategicamente. Mas esse tempo, sobra?

A revolução da psicologia organizacional nas empresas

Estudos recentes em psicologia organizacional estão virando esse jogo de cabeça para baixo com uma descoberta simples e bastante revolucionária. 

Nnguém chegou até aqui por causa dos seus pontos fracos, mas sim por causa das suas forças, daquelas habilidades que fazem a gente se destacar e ser único. E é nelas, não nas nossas fraquezas, que mora o potencial de performance exponencial e excepcional.

Entendendo o estado de flow e a produtividade

A psicologia positiva trouxe um conceito poderoso para entender a produtividade, chamado estado de flow. Cunhado pelo pesquisador Mihaly Csikszentmihalyi, o flow acontece quando você está aplicando suas melhores habilidades em desafios que exigem exatamente esse nível de competência. 

Não pode ser fácil demais, porque você perde o interesse, nem pode ser difícil demais, porque você desiste. O flow vive nessa intersecção entre desafio alto, habilidade alta, senso de propósito claro.

Quando você está no flow, o tempo passa diferente. Você se perde no trabalho sem perceber. Aquela apresentação que você monta em duas horas rende mais que uma semana inteira fazendo planilhas. Não é preguiça, não é falta de compromisso. É que você está aplicando energia onde ela naturalmente se multiplica, não onde ela se desperdiça.

Os limites da cultura corporativa tradicional

O problema é que a cultura corporativa tradicional não foi desenhada para isso. Fomos treinados para acreditar que desenvolvimento significa corrigir o que não desempenhamos tão bem. Logo, os feedbacks são focados naquilo que falta e não no que sobra, que já é potente e pode ser ainda mais aprimorado.

Planos de carreira exigem que você seja bom em tudo, mesmo que "tudo" inclua atividades que drenam sua energia e entregam resultados medianos. Isso acaba criando profissionais competentes, mas exaustos. Times funcionais, mas desengajados. E aquela eterna sensação de dívida e desencaixe.

Os pilares do florescimento humano: o modelo PERMA

O que faz alguém prosperar profissionalmente? O psicólogo Martin Seligman propôs um modelo chamado PERMA, que mapeia cinco pilares do florescimento humano. São eles: emoções positivas (Positive emotions), engajamento (Engagement), relações (Relationships), propósito (Meaning) e realizações (Accomplishments).

Quatro dos cinco pilares estão diretamente ligados a sentir que você está no lugar certo, fazendo o que faz sentido, cercado de pessoas que te valorizam, alcançando resultados que importam. 

Se você passa o dia inteiro tapando buracos para desenvolver habilidades em que não é tão bom, onde sobra espaço para fortalecer aquelas que são de fato seus pontos fortes, seus talentos? Onde entra o engajamento, o propósito, a realização? A conta não fecha. E não por acaso, índices de burnout batem recordes ano após ano.

De funcional a excepcional: a estratégia de potencializar forças

Não se trata de ignorar completamente os gaps (e inevitavelmente algumas fraquezas precisam ser endereçadas). 

Mas a estratégia muda completamente quando você entende que fechar gaps te torna funcional, enquanto potencializar forças te torna excepcional. É a diferença entre sobreviver e decolar.

Empresas que estão à frente dessa curva já perceberam que o xadrez organizacional precisa considerar onde cada pessoa brilha. 

E isso não é só sobre área, cargo ou senioridade, é sobre entender que alguém pode ser extraordinário em estratégia e mediano em execução. Alguém pode ser genial em relacionamento com clientes e limitado em análise de dados. E está tudo bem.

O jogo não é transformar todo mundo em um profissional completo e genérico. O jogo é montar times onde as áreas de brilho se complementam.

Mudança de mentalidade para lideranças e profissionais

Isso exige uma mudança de mentalidade tanto das lideranças quanto dos próprios profissionais. Para os líderes, significa investir tempo em conhecer profundamente cada membro do time. 

O que essa pessoa faz que parece fácil para ela, mas difícil para os outros? Quando ela perde a noção do tempo no trabalho? Que tipo de projeto acende os olhos dela?

Para os profissionais, significa parar de tentar ser bom em tudo. Significa começar a reivindicar espaço para ser excelente naquilo que realmente importa. 

A pergunta que fica é: você sabe onde está o seu lugar de brilho ou você está tão ocupado corrigindo seus “defeitos" que esqueceu de cultivar seus talentos naturais? Que tipo de trabalho te coloca em estado de flow? E o mais importante: quanto da sua produtividade semanal está sendo investida nisso?

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