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LIVE: Com um ano, índice Alelo-Fipe mostra perfil de consumo pós-pandemia

Supermercados tiveram crescimentos, enquanto restaurantes chegaram a cair 50% no início do isolamento

 (Germano Lüders/Exame)

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Publicado em 13 de julho de 2021, 15h36.

Como a pandemia tem afetado o consumo em restaurantes e supermercados do país? Esse foi o tema da Bússola Live do último dia 30 de junho. O webinar marcou o primeiro aniversário dos Índices Fipe e Alelo, lançados em abril do ano passado para monitorar o comportamento dos brasileiros nesses estabelecimentos desde a chegada do novo coronavírus.

A parceria entre a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e a Alelo, empresa do setor de benefícios que está presente em 700 mil estabelecimentos do Brasil, avalia os impactos da covid no comércio alimentar e identifica novos hábitos e tendências de consumo.

O debate, mediado pelo diretor da Bússola, Rafael Lisbôa, contou com a participação do presidente da Alelo, Cesario Nakamura, do superintendente de Gestão da Informação da Alelo, Daniel Martins, do coordenador de Pesquisas da Fipe, Bruno Oliva, do presidente da Bloomin' Brands Brasil, Pierre Berenstein, e do diretor de TI dos Supermercados Pague Menos, Rodrigo Bauer.

Os indicadores, que reúnem os Índices de Consumo em Supermercados (ICS) e os Índices de Consumo em Restaurantes (ICR), surgiram como uma oportunidade da Alelo de aproveitar os milhares de dados fornecidos pelas transações dos seus cartões para construir um panorama do setor durante a crise da covid-19.

“Enquanto os supermercados tiveram uma trajetória de crescimento, os restaurantes chegaram a registrar, no começo da pandemia, uma queda de 50% nas vendas e no faturamento. Esses dados vêm melhorando, mas ainda em maio de 2021 foi registrada uma queda de 27,1% no faturamento, quando comparado ao mesmo período do ano anterior”, diz Cesario Nakamura da Alelo.

Segundo ele, ao longo do último ano os dados mostraram como o comportamento dos brasileiros foi distinto nos diferentes setores, influenciado pelas questões do distanciamento social e dinâmica da pandemia.

Bruno Oliva, da Fipe, destacou a relevância de ter dados como esses no mercado. “Com o início da pandemia percebemos que seria muito importante um indicador com alta frequência e com divulgação rápida para que os agentes econômicos pudessem entender os impactos reais da pandemia no segmento, que não estavam tão claros.”

A Alelo também apresentou um estudo inédito que compara o valor médio das recargas nos benefícios voltados para alimentação e o valor da cesta básica apurado pelo Dieese. Segundo Daniel Martins, superintendente de Gestão da Informação da Alelo, “enquanto o valor médio das recargas dos benefícios permaneceu estável durante esse período da pandemia, em contrapartida, itens essenciais da cesta básica sofreram uma forte pressão inflacionária, como o arroz e o feijão".

"Diante disso, o que percebemos é que o poder de compra do benefício reduziu.” Em janeiro de 2021, o valor médio da recarga do benefício alimentação seria suficiente para adquirir apenas 72,7% do valor médio da cesta básica do período correspondente, menor patamar desde agosto de 2020.

Para contribuir com a visão dos restaurantes, um dos setores mais impactados pela covid-19, Pierre Berenstein, presidente da Bloomin’ Brands Brasil, grupo que reúne marcas como Outback Steakhouse, Aussie Grill e Abbraccio, mencionou que foi um período desafiador para a companhia, mas também um momento de transformação do mercado de food service que passou a investir muito mais no delivery e na experiência do consumidor ao receber suas refeições em casa.

Já o cenário para os supermercados, quando comparado aos restaurantes, foi diferente com números positivos em quase todos os meses. Mas isso não quer dizer que o setor não tenha enfrentado dificuldades. A rede de Supermercados Pague Menos, presente em 16 cidades do interior de São Paulo, em 30 dias migrou de uma loja em e-commerce e "compre e retire" para 11. Segundo Rodrigo Bauer, diretor de TI do Pague Menos, a primeira preocupação foi a incerteza nas mudanças de consumo aliada à questão sanitária, uma vez que eles têm clientes e colaboradores convivendo no mesmo ambiente. Mais do que adaptar o espaço, o desafio foi sair da zona de conforto e tornar os serviços mais digitais.

“Tivemos que ampliar o e-commerce e aprender a operar com esses serviços. Não foi só colocar o produto à venda, mas também garantir que teríamos esse produto para entregar”. Além disso, havia a preocupação com a segurança alimentar. “Foi preciso entregar produtos ainda melhores do que quando o consumidor ia até a loja e lidar com o fato de que o repositor virou shopper do dia para a noite”, afirma.

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