Inovação precisa, primeiro, estar na cultura (Nitat Termmee/Getty Images)
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Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 07h00.
Incluir a promessa de inovação em textos institucionais é uma tarefa fácil. Difícil é inovar de verdade. Mais ainda, entender a diferença entre inovação e criatividade. Explicando:
Apesar de 83% das empresas considerarem a inovação uma das três principais prioridades organizacionais, apenas 3% estão realmente preparadas para colocá-la em prática – segundo estudo da Boston Consulting Group (BCG) de 2024.
O desafio, segundo especialista da consultoria de inovação 1601, não está na falta de ideias, mas na dificuldade de transformar a criatividade em cultura, método e resultado. Em muitas organizações, a inovação ainda é tratada como um projeto pontual e não como uma competência contínua.
“Inovar de verdade exige mudar a forma como a empresa pensa e decide, não apenas criar projetos pontuais. O que faz diferença é quando todo o time entende que inovar é resolver problemas de forma colaborativa, com propósito e alinhamento à estratégia do negócio”, diz Leonardo Brazão, cofundador da 1601.
Convidamos o especialista para detalhar 5 requisitos para empresas que desejam transformar criatividade em inovação verdadeira.
É fundamental que a inovação esteja na agenda dos tomadores de decisão. Se ela não fizer parte da cultura da companhia e não estiver entre as prioridades da liderança, atrelada a metas, bônus e resultados, dificilmente vai acontecer de forma consistente.
Quando a alta liderança não respira a necessidade de inovar, essa mentalidade não se espalha pela organização. O máximo que se vê são pequenas melhorias específicas, mudanças incrementais. Mas a verdadeira inovação depende de exemplo, de intenção e de espaço para o novo.
Para inovar, é essencial criar um ambiente de confiança e abertura. A inovação é, por natureza, um processo de experimentação, envolve testar, errar, ajustar e aprender.
Se a empresa trabalha sob uma cobrança rígida por resultados imediatos, com metas inflexíveis ou planos excessivamente controlados, acaba inibindo esse movimento.
Inovar é, por definição, ineficiente no começo. Justamente porque é algo novo, exige tempo, espaço e tolerância ao erro para amadurecer e gerar resultado real.
A inovação precisa acontecer em um ambiente de colaboração, confiança e abertura, com equipes empoderadas para tomar decisões e apoio das lideranças. Em outras palavras, é uma questão de cultura orientada à inovação.
Claro que os resultados são importantes, mas eles podem surgir de diferentes formas e, muitas vezes, só aparecem depois de várias curvas de aprendizado. Quando isso acontece, os resultados tendem a ser muito mais sólidos e impactantes.
Transformar a curiosidade em prática constante é um dos pilares para desenvolver a inovação dentro das empresas.
Estimular as equipes a fazer perguntas, observar tendências e buscar referências fora do próprio setor amplia o repertório e fortalece a capacidade de conectar ideias novas.
A curiosidade é, afinal, o primeiro passo da inovação, quanto mais ampla for a visão de mundo das pessoas, maior será o potencial criativo coletivo.
Outro ponto essencial é criar rituais de experimentação. Estabelecer momentos regulares para testar hipóteses e validar ideias rapidamente ajuda a transformar boas intenções em aprendizado prático.
Prototipar antes de planejar demais permite errar cedo, ajustar o rumo e reduzir riscos, além de fortalecer a confiança das equipes para investir em projetos maiores e mais ambiciosos. Inovar é um processo que se constrói na prática e quanto mais a empresa experimenta, mais preparada ela se torna para evoluir.