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ESG: Conheça a startup que leva diversidade global à tecnologia brasileira

Num mundo que acaba de bater recorde de deslocamento forçado, a Toti Diversidade coleciona prêmios por capacitar e ajudar refugiados no Brasil a encontrar trabalho em programação e análise de dados

Renato Krausz

Publicado em 22 de junho de 2023 às, 15h40.

Última atualização em 6 de novembro de 2023 às, 17h42.

O reconhecimento internacional que a Toti Diversidade está tendo em seus poucos anos de vida é, de certa forma, diretamente proporcional ao impacto social que essa startup criada por seis jovens no Rio de Janeiro tem causado em vários Estados do Brasil, ao oferecer cursos de tecnologia a refugiados e apoiá-los a encontrar emprego nesta área.

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Somente em abril último, foram dois prêmios.A Toti ficou entre as três melhores startups de impacto em um universo de mais de 200 avaliadas durante a Brazil Conference, em Harvard, nos Estados Unidos. Os sócios precisaram se dividir, porque no mesmo dia ela ficou em segundo lugar entre negócios inovadores de todos os cinco países do Brics, no Brics Youth Innovation Summit, na África do Sul.A próxima parada será em Belfast, na Irlanda do Norte, em evento da One Young World, que ocorrerá em outubro.

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Mas que tanto impacto é esse para todo esse reconhecimento? Entre 2018 e 2023, a Toti reuniu 30 turmas e formou 660 refugiados, de 29 nacionalidades diferentes, em cursos de programação e análise de dados. A taxa de empregabilidade está em 75%, ou seja, de cada quatro alunos formados pela Toti, três conseguem um novo trabalho na área de tecnologia.

O Hospital Albert Einstein, por exemplo, formou uma turma de 28 refugiados, dos quais mais da metade foi contratada pelo próprio hospital. O aproveitamento do Banco Neon foi ainda maior: contratou 100% dos egressos de uma turma que financiou com 15 alunos. O Instituto Nu, do Nubank, acaba de fechar 25 turmas para formar 750 pessoas em um período de um ano e meio. Também já fizeram negócios com a Toti gigantes como Itaú, Raízen e Rede Globo.

A startup fez até agora uma única rodada de captação, pela qual recebeu um investimento pré-seed de R$ 250 mil do Nubank. Os sócios Bruna Amaral e Caio Rodrigues contam que estão prontos para outra rodada e pretendem investir a bolada numa plataforma própria para formação de pessoas. “Hoje usamos plataformas do mercado para rodar tudo o que desenhamos. Mas chegou a hora de ter uma nossa, para escalar”, diz Caio. “Queremos expandir muito nosso número de alunos”, completa Bruna.

Bruna, Caio e os outros sócios da Toti se conheceram no Cefet/RJ, onde até outro dia eram estudantes. O embrião da startup foi na Enactus, incubadora que se dedica a inspirar universitários a melhorar o mundo com ações empreendedoras. Depois, a Toti passou pela aceleração da InovAtiva, um hub criado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Sebrae, que já ajudou 3 mil startups a virarem negócio de gente grande.

Além dos cursos, a Toti também ajuda empresas a entender melhor seus níveis de diversidade e oferece profissionais capazes de preencher gaps específicos. Somada a toda a vulnerabilidade que os refugiados enfrentam no Brasil e no mundo, há muita interseccionalidade para outras diversidades, como gênero e raça. O Itaú, por exemplo, fechou um projeto com a Toti voltado exclusivamente para o público LGBTQI+.

Na semana passada, a ONU divulgou um triste recorde que o mundo acaba de bater:  108,4 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas em 2022. Desses, 5,7 milhões fugiam da guerra na Ucrânia, num fluxo migratório cuja magnitude não era vista desde a Segunda Guerra Mundial. Em maio deste ano, o número total chegou a 110 milhões, sobretudo pelo grande número de pessoas que precisaram fugir da violência do conflito no Sudão. Todos os números estão no relatório “Tendências Globais do Deslocamento Forçado”.

“As oportunidades para os estrangeiros não são tantas. Aí você de repente encontra uma instituição disposta a te dar capacitação e depois ainda te coloca no mercado de trabalho. Eu sou muito grata à Toti”, diz a angolana Auria Manuela Silva, uma ex-aluna.Ela saiu de seu país por questões religiosas que a impediam de fazer o que sempre quis: estudar. Chegou ao Brasil em 2016 e, alguns anos depois, foi aprovada para um curso de tecnologia da Universidade Cruzeiro do Sul. As coisas só melhoravam. Auria conseguiu um emprego na área. Com dois anos na empresa, veio a pandemia, e então ela foi dispensada.

Buscou outras vagas semelhantes, sem sucesso. Com as contas da faculdade e outros boletos se acumulando, começou a trabalhar como auxiliar de serviços gerais na cozinha do Hospital Albert Einstein. Lá, soube por uma funcionária do RH que o hospital havia acabado de fechar uma parceria com a Toti. Auria foi atrás, passou pela seleção e se matriculou no curso de análise de dados. No fim, acabou contratada pelo próprio hospital. Hoje ela é analista de dados no Proadi-SUS, aliança entre o Einstein e outros cinco hospitais de referência com o Ministério da Saúde, com o objetivo de aprimorar o SUS. “Estou muito realizada como analista. E quero um dia ser engenheira de dados”, conta Auria.

A questão dos refugiados, sem dúvida, está em algum lugar no topo do ranking dos maiores dramas do mundo. E desde que (aleluia!!) a teoria de Milton Friedman foi para o beleléu, se essa questão é um grave problema do mundo, é também um grave problema das empresas. Assim, não deixa de ser um alento o fato de muitas delas, como as citadas neste texto, estarem buscando os serviços da Toti Diversidade.

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Créditos

Sócio-diretor da Loures Consultoria - Colunista Bússola

Jornalista com 30 anos de carreira, cofundador e atual diretor-geral da Loures Consultoria. Pós-graduado em sustentabilidade e ESG pela FIA Business School e em gestão de negócios pelo Insper.

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