No dia Mundial do Câncer, investigamos programa que propõe preveção e reduz custos operacionais (Miladin Pusicic/Getty Images)
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Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 13h59.
As empresas brasileiras começam a mudar a postura quanto ao câncer. Atualmente, a doença é tratada apenas quando diagnosticada, mas essa abordagem gera grandes custos operacionais.
“O modelo atual é pouco sustentável. Hoje, cerca de 85% dos custos das operadoras estão concentrados no tratamento, enquanto apenas 1% é destinado à prevenção”, aponta Rafael Ielpo, diretor comercial e de Marketing do A.C.Camargo Cancer Center.
Segundo ele, o impacto financeiro é expressivo, uma vez que o tratamento de um câncer diagnosticado em estágio avançado pode custar até 400% mais do que quando identificado precocemente – como é no caso dos tumores de mama.
Com o envelhecimento da população, o INCA projeta cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. Num país onde 75% a 80% dos planos de saúde são empresariais, empresas já buscam gerir recursos de forma mais ativa.
Para atender a demanda, o A.C.Camargo Cancer Center criou o “Programa de Gestão Oncológica para Empresas”.
O programa do cancer center reposiciona o cuidado oncológico como uma estratégia de gestão corporativa e não apenas assistencial.
No centro da iniciativa está a sustentabilidade. “Hoje quando a gente pensa na sinistralidade das operadoras de saúde, que está em torno aí de 85%, apenas 1.3% é gasto com prevenção. Todo o resto é gasto com doença.
Ou seja, estamos buscando soluções para uma saúde mais acessível e mais ampla, que dê acesso para mais gente e que no final do dia custe mais barato”, diz Ielpo.
Segundo o executivo, a demanda que provocou o surgimento da iniciativa vem de uma maturidade organizacional e da adesão da cultura de bem-estar nas empresas brasileiras.
Atualmente, a adesão ao programa é de cerca de 10% quando em iniciativas anteriores era de apenas 0,5%. Considerando o cenário, o avanço é animador, pois indica avanço da conscientização.
Às vésperas da atualização da NR-1, é possível observar que as discussões quanto aos riscos psicossociais, desafios diários, teve outro efeito: acelerou o amadurecimento da cultura de bem-estar. O câncer é mais um risco que passa a ser observado de maneira contínua.
“Antigamente não falava nem o nome câncer, a gente falava 'aquela doença'. E isso hoje não é mais uma realidade. Acho, sem dúvida nenhuma, que existe uma mudança nos gestores de saúde e nos gestores de pessoas das empresas, entendendo que precisamos investir em prevenção. Isso é fundamental”, conclui Ielpo.