Adoção de tecnologias como o Banking as a Service permite que empresas cresçam e incorporem novos serviços financeiros com segurança e eficiência (MAYA LAB/Shutterstock)
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Publicado em 5 de outubro de 2026 às 10h00.
O crescimento de um negócio exige repensar sua infraestrutura financeira para evitar gargalos operacionais. Segundo Douglas Barrochelo, CEO da Biz, a fragmentação de sistemas prejudica a escalabilidade de pequenos negócios e gera retrabalho. Para solucionar o problema, modelos como o Banking as a Service (BaaS), regulamentado pelo Banco Central, permitem que empresas integrem novos serviços de forma segura e eficiente.
Por Douglas Barrochelo*
Empreender costuma ser associado à ideia, ao produto, à capacidade de vender e de encontrar mercado. Mas, conforme uma empresa cresce, surgem desafios menos visíveis e igualmente importantes.
Processos financeiros ficam mais complexos, o número de clientes aumenta, surgem novas formas de pagamento e atividades que antes podiam ser resolvidas manualmente passam a exigir escala, integração e segurança.
Muitas empresas percebem tarde demais que sua infraestrutura financeira não foi desenhada para a escala que conquistaram.
Esse movimento ganha relevância no Brasil, onde os pequenos negócios têm peso significativo na economia.
Segundo o Sebrae, eles representam cerca de 95% das empresas brasileiras, respondem por aproximadamente 30% do PIB e estiveram associados a 61% dos empregos criados em 2024.
Nesse contexto, vejo o Dia do Empreendedor como uma oportunidade para discutir um desafio que acompanha a expansão de milhares de empresas: como crescer sem transformar cada nova necessidade financeira em um novo problema operacional?
Nos primeiros estágios de um negócio, é comum que as soluções financeiras estejam distribuídas entre diferentes fornecedores. Uma instituição processa pagamentos, outra cuida da conta, uma terceira oferece cartões, enquanto sistemas paralelos fazem conciliação ou gestão de despesas.
Essa estrutura pode funcionar enquanto a operação é pequena. Com o aumento do volume, porém, a fragmentação tende a gerar retrabalho, custos adicionais, dificuldades de integração e uma experiência menos fluida para clientes e equipes.
Ao mesmo tempo, consumidores e empresas passaram a esperar experiências financeiras cada vez mais simples e integradas, com pagamentos instantâneos, contas digitais, cartões e outros serviços incorporados diretamente às jornadas que já utilizam.
Escalar, portanto, não é apenas vender mais. É garantir que a infraestrutura do negócio consiga crescer na mesma velocidade que a empresa.
É nesse cenário que modelos como o Banking as a Service (BaaS) ganharam espaço. Em linhas gerais, eles permitem que empresas utilizem infraestrutura tecnológica, operacional e regulatória especializada para incorporar determinados serviços financeiros às suas próprias jornadas.
Isso muda uma decisão importante para quem empreende. Em vez de perguntar apenas quais produtos financeiros precisam ser contratados, passa a fazer sentido discutir quais experiências financeiras devem estar integradas ao próprio negócio.
Uma empresa de varejo, por exemplo, pode querer oferecer meios de pagamento conectados à sua jornada de compra. Uma plataforma digital pode incorporar uma conta ou funcionalidades de pagamento.
Já uma companhia com uma base relevante de colaboradores pode buscar uma estrutura integrada para benefícios, despesas corporativas e outros serviços financeiros.
O ponto central está na possibilidade de desenvolver essas experiências sem precisar construir internamente toda a estrutura tecnológica e regulatória necessária para operar serviços financeiros.
Isso pode reduzir barreiras de entrada e acelerar o desenvolvimento de novos produtos, mas não elimina a necessidade de governança, segurança e clareza sobre responsabilidades.
Essa preocupação ganhou ainda mais relevância com a regulamentação específica do BaaS pelo Banco Central.
A Resolução Conjunta nº 16, publicada em novembro de 2025, estabeleceu regras para esse tipo de prestação de serviço, incluindo requisitos relacionados a governança, gerenciamento de riscos, segurança, transparência e responsabilização.
A regulamentação contribui para o amadurecimento de um mercado que cresceu rapidamente. Para o empreendedor, reforça também uma questão importante: incorporar serviços financeiros ao negócio exige escolher estruturas capazes de acompanhar seu crescimento com segurança e conformidade.
A tecnologia pode tornar a experiência simples para quem está na ponta. Por trás dessa simplicidade, porém, existe uma cadeia tecnológica, operacional e regulatória que precisa funcionar de forma coordenada.
Essa lógica tende a ganhar ainda mais relevância à medida que empresas de setores não financeiros passam a participar ativamente da jornada financeira de clientes e colaboradores.
O avanço dos pagamentos digitais, do Open Finance e dos serviços financeiros embarcados amplia as possibilidades para que marcas criem experiências mais integradas, mas também aumenta a importância de uma arquitetura tecnológica preparada para evoluir.
No Dia do Empreendedor, vale lembrar que construir um negócio capaz de crescer também significa preparar a base que sustentará seu próximo estágio.
Produto, vendas e inovação continuam essenciais. Mas a infraestrutura que opera silenciosamente por trás deles pode determinar o quanto uma empresa consegue avançar sem acumular complexidade desnecessária.
Para quem empreende, pensar nessa estrutura desde cedo representa uma mudança importante de perspectiva: a tecnologia financeira deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a fazer parte das decisões sobre experiência, eficiência e futuro do negócio.
Segundo o Sebrae, os pequenos negócios representam cerca de 95% das empresas brasileiras e respondem por aproximadamente 30% do PIB, além de terem sido associados a 61% dos empregos criados em 2024.
De acordo com o texto, a distribuição de soluções financeiras entre vários fornecedores pode gerar retrabalho, custos adicionais, dificuldades de integração e uma experiência menos fluida à medida que o volume da operação de uma empresa aumenta.
O Banking as a Service (BaaS) é um modelo que permite às empresas utilizar infraestrutura tecnológica, operacional e regulatória especializada para incorporar serviços financeiros diretamente em suas próprias jornadas de negócio.
Sim, o Banco Central estabeleceu regulamentação específica para o BaaS por meio da Resolução Conjunta nº 16, publicada em novembro de 2025, definindo regras sobre governança, gerenciamento de riscos, segurança e responsabilização.