Saber deslizar o dedo por uma interface intuitiva não significa compreender as camadas de responsabilidade (Nazar Abbas Photography/Getty Images)
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Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 07h00.
Por Alexandre Marcondes*
O termo "nativo digital" tornou-se um clichê, mas, ao rotularmos as crianças da geração Alfa, aquelas nascidas a partir de 2010, como seres naturalmente proficientes na tecnologia, cometemos o equívoco de confundir habilidade operacional com maturidade crítica.
Saber deslizar o dedo por uma interface intuitiva não significa compreender as camadas de responsabilidade, segurança e ética que sustentam o ecossistema digital.
No contexto do Dia da Internet Segura, é imperativo que as instituições de ensino e as famílias façam uma provocação necessária: estamos educando apenas para o uso da ferramenta ou para o exercício da cidadania?
Ao longo da minha trajetória, sobretudo nesses últimos anos de tantos avanços tecnológicos impactando o aprendizado em sala de aula, compreendi que o letramento digital não é uma disciplina acessória, mas um pilar de formação humana que deve acompanhar o desenvolvimento cognitivo do aluno.
Não se trata de uma corrida tecnológica, mas de uma jornada de conscientização que começa muito antes do primeiro código de programação.
Nos anos iniciais, o desafio é o equilíbrio. É o momento de ensinar a criança a habitar o mundo "com tela e sem tela", estabelecendo fronteiras saudáveis.
À medida que avançam, o foco transita para a alteridade. O que chamamos de "netiqueta" nada mais é do que a transposição de valores fundamentais, sobretudo respeito e gentileza, para o território virtual.
Em um ambiente onde a tela muitas vezes desumaniza o interlocutor, reforçar o "Reino da Bondade" e o combate ao cyberbullying é uma medida de proteção social.
Ao chegarmos ao Ensino Fundamental II, a complexidade aumenta. Vivemos a era da desinformação programada.
Ensinar um aluno de 11 anos a identificar a autoria e o contexto de uma notícia é dar a ele uma vacina contra a manipulação.
Da mesma forma, utilizar ferramentas como o Minecraft Education para simular desafios de cibersegurança permite transformar o abstrato em algo tangível: a privacidade e a proteção de dados como ativos que eles aprendem a defender.
Educar para o digital também é educar para a autoria responsável. Quando nossos jovens de 14 anos debatem direitos autorais e licenças Creative Commons, eles deixam de ser consumidores passivos para se tornarem produtores conscientes.
Eles compreendem que a internet não é um "território de ninguém", mas um espaço público regido por leis e consequências reais.
A cibersegurança na internet não se constrói apenas com firewalls potentes ou softwares de monitoramento, mas com o fortalecimento do filtro mais importante de todos: o senso crítico do indivíduo.
O papel da escola de vanguarda é ser o farol nessa transição, garantindo que a geração Alfa não seja apenas a mais conectada da história, mas também a mais ética e segura.
*Alexandre Marcondes é diretor de tecnologia do Colégio Visconde de Porto Seguro.