Brasil

Troca de membros esfria ânimos no Conselho de Ética

Hoje, o deputado Sérgio Brito (PSD-BA) renunciou à titularidade e o líder da bancada do PSD cedeu o espaço à aliado de Cunha


	José Carlos Araújo: ele protestou durante a sessão e reclamou que Rosso não o ouviu ao conceder a vaga de titular a um deputado de outro partido
 (Antônio Cruz/ Agência Brasil)

José Carlos Araújo: ele protestou durante a sessão e reclamou que Rosso não o ouviu ao conceder a vaga de titular a um deputado de outro partido (Antônio Cruz/ Agência Brasil)

DR

Da Redação

Publicado em 23 de fevereiro de 2016 às 16h55.

Brasília - As recentes mudanças de membros titulares do Conselho de Ética e a decisão desfavorável da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deram um banho de água fria nos conselheiros que defendem a continuidade do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Eles acreditam que os últimos acontecimentos favorecem Cunha.

Na tarde desta terça-feira, 23. os parlamentares reclamaram da terceira troca no grupo.

Hoje, o deputado Sérgio Brito (PSD-BA) renunciou à titularidade e o líder da bancada do PSD, Rogério Rosso (DF), cedeu o espaço ao suplente João Carlos Bacelar (PR-BA), aliado de Cunha.

O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), protestou durante a sessão e reclamou que Rosso não o ouviu ao conceder a vaga de titular a um deputado de outro partido.

Em poucos dias, o colegiado passou por alterações que tiram força do processo por quebra de decoro.

Na semana passada, o deputado Wladimir Costa (SD-PA) voltou ao Conselho no lugar de Paulo Pereira da Silva (SD-SP), que havia assumido a titularidade em novembro passado quando Costa se licenciou.

Paulinho da Força, fiel aliado de Cunha, renunciou à vaga. Na mesma semana, a deputada Jozi Araújo (PTB-AP) foi indicada para a vaga de Nilton Capixaba (PTB-RO), que havia substituído o titular Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

Adversário público de Cunha, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), lembrou que já se passaram 113 dias em que o processo contra o peemedebista começou a tramitar e a admissibilidade da ação sequer foi votada.

Ao falar que Cunha distribui cargos e aumenta o número de aliados na Casa, Delgado disse que a "promiscuidade" se instalou no Conselho.

"Esse é o termo: promiscuidade política", concluiu. Delgado considerou que a decisão desta tarde da ministra "mostra que o Conselho de Ética não vai andar".

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira, liminar (decisão provisória) num mandado de segurança que pedia a anulação de uma decisão do vice-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, que retarda o andamento do processo disciplinar.

Com a decisão da ministra, o despacho de Maranhão fica mantido até que o caso seja analisado pela 1ª Turma do Supremo. No fim do ano passado, o vice-presidente da Casa decidiu anular a aprovação do Conselho de Ética pela continuidade do processo contra Cunha.

Na avaliação do grupo que apoia a continuidade do processo disciplinar, ao manter válida a decisão de Maranhão, os aliados de Cunha serão encorajados a entrar com novos recursos na primeira-vice-presidência da Câmara, já que as decisões do vice costumam favorecer o peemedebista.

O próximo passo do grupo é entrar com um pedido de suspeição de Araújo na condução do processo, medida que pode afastá-lo da função.

Durante a sessão desta tarde, os deputados Wellington Roberto (PR-PB) e Manoel Júnior (PMDB-PB) cobraram a análise de uma questão de ordem da presidência do Conselho que pede a suspeição de Araújo.

Acompanhe tudo sobre:Eduardo CunhaSupremo Tribunal Federal (STF)

Mais de Brasil

Justiça do Rio invalida sessão que elegeu Douglas Ruas como novo presidente da Alerj

STF derruba decisão de Mendonça sobre prorrogação da CPI do INSS

Douglas Ruas assume a presidência da Alerj e entra na linha sucessória para o governo do Rio

TSE aprova federação partidária entre Progressistas e União Brasil