Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 08h32.
Na última eleição para a Câmara dos Deputados, apenas 28 dos 513 parlamentares eleitos garantiram o mandato exclusivamente com os próprios votos — o equivalente a cerca de 5,5% do total.
Atualmente, os deputados federais são escolhidos pelo sistema proporcional. Nele, calcula-se primeiro o quociente eleitoral, que determina quantas cadeiras cada partido ou federação terá direito a ocupar. Esse índice resulta da divisão do número de votos válidos pelo total de vagas em disputa no estado.
A partir dessa conta, define-se o número de cadeiras destinadas a cada legenda, e então são eleitos os candidatos mais votados dentro dos partidos. Por esse motivo, o desempenho individual nem sempre garante uma vaga: em muitos casos, a eleição depende do conjunto de votos da sigla.
Na disputa mais recente, em 2022, a maioria dos deputados chegou à Câmara impulsionada pela soma dos votos da própria legenda, e não apenas pelo apoio direto do eleitorado.
Uma proposta em discussão no Congresso prevê substituir o atual sistema pelo voto distrital. Nesse modelo, os estados seriam divididos em distritos menores, e cada um deles elegeria apenas um representante: o candidato mais votado naquela área. Assim, a eleição passaria a depender exclusivamente dos votos individuais.
No entanto, para que a alteração entre em vigor, o Congresso deve aprovar a nova legislação eleitoral com pelo menos um ano de antecedência da eleição, como exige a Constituição. Ou seja, uma possível mudança valeria apenas para o próximo pleito, em 2030.
Apesar de o tema ter sido debatido em legislaturas anteriores, ainda não houve consenso para sua adoção.
Os defensores do voto distrital afirmam que o formato aproxima o eleitor do parlamentar e facilita a fiscalização do mandato. Já os críticos argumentam que a mudança pode reduzir a diversidade partidária e enfraquecer a representação de minorias.