Repórter
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 10h24.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagraram nesta quinta-feira, 12, a Operação Dark Trader para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao comércio de eletrônicos e com indícios de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a organização movimentou mais de R$ 1 bilhão em poucos meses por meio de uma estrutura empresarial usada para ocultar recursos.
A força-tarefa reúne integrantes do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da Secretaria da Fazenda. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca em São Paulo e Santa Catarina.
O Ministério Público de São Paulo informou que o esquema envolve uma organização criminosa da China, que atuava por meio do comércio ilegal de eletrônicos.
De acordo com a SSP, as investigações apontaram que o grupo utilizava um sistema sofisticado de desvio de fluxo financeiro para esconder receitas obtidas com a distribuição de produtos eletrônicos em todo o país.
Embora as vendas fossem realizadas por uma empresa principal, os pagamentos eram direcionados a empresas de fachada.
Essas empresas funcionavam como “contas de passagem”, enquanto notas fiscais eram emitidas por terceiros. Segundo os investigadores, os valores eram concentrados e posteriormente pulverizados em contas de “laranjas”, dificultando o rastreamento e criando discrepância entre o fluxo de caixa real e o patrimônio formal das empresas.
O MPSP informou que obteve na Justiça o sequestro de bens e valores que podem superar R$ 1 bilhão. Entre os ativos bloqueados estão imóveis de alto padrão, veículos de luxo, aplicações financeiras e dezenas de contas bancárias.
A pasta afirmou que o grupo utilizava pessoas com histórico criminal ligado a facções para atuar como sócios de fachada e beneficiários de patrimônio elevado, estratégia que buscava blindar os bens e dificultar a responsabilização dos verdadeiros controladores.
Ao todo, dezenas de pessoas físicas e jurídicas são investigadas. De acordo com o Ministério Público, o líder do esquema coordenava o envio de valores para empresas fictícias e a emissão de notas fiscais frias, com apoio de contadores responsáveis por formalizar documentos e fragmentar os recursos.
A investigação aponta ainda que a estrutura promovia confusão patrimonial para fraudar o fisco, credores e o sistema de Justiça. Os crimes fiscais identificados serão comunicados aos órgãos competentes para as providências cabíveis.