Brasil

Marcelo Odebrecht reconhece que relação com Mantega "era errada"

"É aquela história: você cria uma relação que é errada, uma relação que não deveria precisar", disse Marcelo

Guido Mantega: Marcelo Odebrecht disse que, quando ex-ministro o chamava para reunião, já sabia que era "para fazer pedido" (Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil/Agência Brasil)

Guido Mantega: Marcelo Odebrecht disse que, quando ex-ministro o chamava para reunião, já sabia que era "para fazer pedido" (Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil/Agência Brasil)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 13 de abril de 2017 às 10h22.

Em sua delação premiada, o empreiteiro Marcelo Odebrecht reconheceu que era "errada” a sua relação com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

A convivência entre os dois funcionava como uma via de mão dupla: de um lado, Marcelo tinha acesso direto a Mantega, recorrendo ao ministro para resolver questões que atingiam os negócios da Odebrecht; de outro, Mantega pedia que a empreiteira, uma das maiores doadoras de campanhas eleitorais, destinasse dinheiro ao PT.

"É aquela história: você cria uma relação que é errada, uma relação que não deveria precisar. A maior parte das empresas que não tem esse acesso (direto ao ministro) não consegue nem resolver seus problemas. Na verdade, de certo modo ele (Mantega) me escutava, me dava acesso à agenda, eu podia ter reuniões com ele duas vezes por semana. É óbvio que eu também tinha essa facilidade porque eu era um grande doador", disse Marcelo.

"As coisas que a gente levava (a Mantega) eram até coisas legítimas, pra destravar um financiamento, é o orçamento do Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarino). Eu não pedia nada a ele que não fosse correto, agora o errado está em que eu tinha o acesso a ele baseado em eu ser um grande doador. A grande ilicitude está aí. A gente acaba racionalizando de uma maneira errada. Mas não é normal, não se pode considerar normal um negócio desses", reconheceu o empreiteiro.

Segundo Marcelo Odebrecht, quando Mantega o chamava para alguma reunião, já se sabia que "era para fazer o pedido de alguma coisa".

"Ele (Mantega) me chamava pra dizer 'Preciso que você autorize cinco pro Vaccari (João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT), ou não sei quanto' e eu aí eu aproveitava que ele tinha me chamado e já metia uma pendência que eu tinha na época", detalhou o executivo.

"Por exemplo, muitas vezes eu ia lá fazer pedido, e no final da reunião, (Mantega dizia) "Mas tem aquele nosso amigo, o Vaccari, o João Santana, precisa de 10 a 20". Não era um vínculo direto, mas era como se fosse uma relação de mão dupla que ele tinha em mim um grande doador e eu tinha uma agenda e um acesso a ele", comentou Marcelo.

Acompanhe tudo sobre:Marcelo OdebrechtGuido MantegaDelação premiada

Mais de Brasil

Boulos diz que governo vai articular no Congresso para manter veto de Lula ao PL da Dosimetria

Defesa de Bolsonaro pede ao STF autorização para reduzir pena por meio da leitura

Provão Paulista: estudantes podem consultar resultados da avaliação de 2025

Produtos comprados em viagens terão novas regras para entrada no Brasil