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Fabricação de crises afasta o país dos problemas reais, diz Gilmar Mendes

Declaração ocorre em meio a ataques do presidente e aliados à Suprema Corte do país

Gilmar Mendes: ministro do Supremo Tribunal Federal (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Gilmar Mendes: ministro do Supremo Tribunal Federal (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 22 de agosto de 2021 às 16h19.

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Dois dias depois de o presidente Jair Bolsonaro lançar uma ofensiva inédita e elevar a temperatura entre o Palácio do Planalto e o Judiciário entregando ao Senado pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o decano da corte máxima, Gilmar Mendes afirmou que a 'fabricação artificial de crises institucionais infrutíferas afasta o país do enfrentamento dos problemas reais'.

A estratégia de Bolsonaro inquieta a toga. A cúpula da Justiça reagiu energicamente à pretensão do presidente em tentar tirar Alexandre do caminho cobrando do Senado reação à 'toda e qualquer tentativa de rompimento do Estado de Direito e da ordem democrática'.

A indicação de Gilmar se deu no perfil do magistrado do Twitter. Sem mencionar o chefe do Executivo, o decano disse que é hora de 'reordenar prioridades'. Gilmar apontou a pandemia da Covid-19, a 'inflação galopante' e a 'paralisação das reformas necessárias' como temas que devem integrar a agenda política.

A referência de Gilmar à 'fabricação artificial de crises institucionais' se dá em meio a um momento de tensão na relação entre os Poderes, principalmente entre o Executivo e o Judiciário. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados fazem ataques sucessivos ao Supremo Tribunal Federal e seus ministros, a Justiça respondeu às inverdades do presidente e seus apoiadores sobre as urnas eletrônicas e as ameaças às eleições 2022.

Alvo do momento de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes tem sob sua relatoria diferentes processos que são sensíveis ao Palácio do Planalto, entre eles inquéritos que miraram recentemente aliados do presidente, como o ex-deputado Roberto Jefferson e o cantor Sérgio Reis - sob suspeita de 'incitar a população a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia' ao lado de empresários do agronegócio. Além disso, Alexandre de Moraes será o presidente do Tribunal Superior Eleitoral - atualmente chefiado por Luís Roberto Barroso, outro alvo de ataques de Bolsonaro - durante as eleições 2022.

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