Brasil

Cúpula do PT age para conter novos rebeldes

Partido estuda medidas para enquadrar parlamentares que apoiaram o deputado André Vargas, que teve revelado o envolvimento com o doleiro Alberto Youssef


	Lula: ex-presidente estimula movimentos da direção partidária para reduzir a força dos parlamentares
 (REUTERS/Ueslei Marcelino)

Lula: ex-presidente estimula movimentos da direção partidária para reduzir a força dos parlamentares (REUTERS/Ueslei Marcelino)

DR

Da Redação

Publicado em 11 de maio de 2014 às 10h00.

Priorizar nos meus resultados Google

São Paulo - Com o estrago eleitoral e na imagem do partido causado pela revelação da relação entre o deputado André Vargas (sem partido-PR) e o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal, o PT, com aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estuda medidas para enquadrar parlamentares que apoiavam Vargas.

O primeiro alvo foi o deputado Candido Vaccarezza (SP), que enfrentou a direção petista e a presidente Dilma Rousseff ao apoiar projeto de reforma política apresentado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Há um mês, a executiva nacional do PT fechou questão contra o projeto do PMDB e em favor de uma Constituinte exclusiva para a reforma. Se insistir no apoio ao PMDB, Vaccarezza estará sujeito a punições internas.

O segundo alvo foi o próprio Vargas, que tentou enfrentar a cúpula petista ao ser pressionado a renunciar ao mandato por causa de citações de seu nome em relatórios da PF. Com apoio do grupo de "novos rebeldes", Vargas voltou atrás da decisão de renunciar. A direção petista então ameaçou afastá-lo por até 60 dias, enquanto a Comissão de Ética investigasse o caso. Sem saída, Vargas se desfiliou para evitar a punição.

"Depois que ele se desfilou do PT, não tenho visto menções ao nome dele na imprensa, o que mostra que, fora do partido, as ações dele baixaram de valor", disse o presidente do partido, Rui Falcão.

Internamente, a avaliação é que aliados de Vargas o estimularam a enfrentar a direção partidária para evitar que a postura dura tomada contra o ex-vice-presidente da Câmara se transformasse em regra no partido.

Polos paralelos

Recentemente, Falcão disse que Lula tem estimulado movimentos da direção partidária para reduzir a força dos parlamentares. Nos últimos anos, as bancadas se transformaram em polos paralelos de poder, ocupando o vazio deixado por líderes históricos abatidos no processo do mensalão.

"O Lula vem falando que é preciso fortalecer as instâncias partidárias para que não haja o peso exclusivo dos mandatos parlamentares. Elas (bancadas) têm um peso muito grande e muitas vezes acabam esvaziando as instâncias", disse Falcão.

A bancada do PT na Câmara se dividiu em ao menos quatro grupos, que passaram a ter denominações irônicas como CNB do A e CNB do B, em referência à maior corrente interna do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB). O maior destes grupos era encabeçado por Vargas.

O núcleo duro dos "novos rebeldes" é formado por cerca de dez parlamentares, a maioria de São Paulo, mas nos melhores momentos chegou a ter mais de 50 dos 84 deputados do PT na Câmara. Além de se aliar a adversários no Congresso, esse grupo é acusado de plantar notícias negativas contra o governo Dilma e liderar o movimento "Volta, Lula".

Acompanhe tudo sobre:PersonalidadesPolíticosPolíticos brasileirosPT – Partido dos TrabalhadoresPolítica no BrasilPartidos políticosLuiz Inácio Lula da SilvaAndre Vargas

Mais de Brasil

Justiça suspende decisão que liberava operação de três bets no Brasil

Bets foram liberadas no Brasil? Entenda decisão da Justiça e a reação do governo Lula

Quem faz o Enem pode ter parcela extra do Pé-de-Meia; entenda

Governo define lista de minerais críticos; entenda o que isso significa